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Hiroshima

Posted in famecos,jornalismo,livros,pucrs por Morgana Gualdi Laux em junho 9, 2010

Sob uma perspectiva de humanizar  personagens vítimas do bombardeio de Hiroshima, o jornalista John Hersey escreve com minuciosos detalhes Hiroshima – uma reportagem marcante com seis indivíduos afetados pela bomba atômica. O artigo foi publicado um ano após o acontecimento das atrocidades inicialmente na revista The New Yorker. Atualmente, o livro está sendo comercializado no Brasil pela Companhia das Letras, com um capítulo adicional, sendo ele um relato sobre os quarenta anos  vivenciados pelas seis pessoas após o bombardeio.

O jornalismo convencional, marcado pela aparência da neutralidade  e pela busca dos furos de reportagens, não seria adequado para reviver momentos de tensão, medo e dor presentes no cenário de Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945.  O jornalista John Hersey une as práticas jornalísticas de entrevistas e apuração dos fatos com técnicas e estruturas de ficcção para contar os fatos que ocorreram com o Reverendo Tanimoto, pastor educado nos EUA; Nakamura, viúva de guerra e mãe de três crianças; Dr Fugi, proprietário de um hospital privado; Padre Kleinsorge (convertido e nomeado Takakura), pastor jesuíta; Dr. Sasaki: um jovem médico atuante no Hospital da Cruz Vermelha e Sasaki, funcionária da Fundição de Estanho do Leste da Ásia.

Sendo assim, Hiroshima  conta a perpectiva dos seis hibakusha (termo para designar pessoas afetadas pela explosão) desde a manhã do bombardeio até os quarenta anos seguidos das consequências. Para isso, o jornalista mergulha na imersão dos personagens, personagens esses considerados comuns.  Então, por essas e outras características, a obra é vista como um dos marcos iniciais do jornalismo literário. Em Hiroshima, o correpondente de guerra John Hersey demonstra a apuração preciosa de detalhes e sem se aprofundar em números, humaniza seis faces japonesas, mostrando aos americanos como a novidade tecnológica produzida pelo homem mudaria diretamente ou indiretamente o cotidiano daqueles presentes em Hiroshima. Sem dúvida alguma, jornalista transcedeu dados e apontou o japones como um ser humano, munido de princípios, valores e razões.

Dentro da linguagem, pode-se perceber que John Hersey ao lançar no ano de 1946 a reportagem, não se ateve somente a contagem de 31.347 palavras, mas ao sentido que elas iriam transmitir ao público. Utilizando expressões como “clarão silecioso”, “estranha e caprichosa doença”, “imenso clarão cortou o céu”, marcas do jornalismo literário, Hersey também dramatizou os acontecimentos, utilizando um ponto de vista mais real e com uma maior consistência.

John Hersey, totalmente inserido no cenário de Hiroshima, realiza a “arte de contar boas histórias”, elemento essencial retomado no jornalismo literário.  O escritor munido com um texto de impacto, simples e isento de emocionalismo foi responsável por uma das melhores reportagens publicadas no século XX, mesclando jornalismo e literatura. Concordando com a citação do The New York Times de que a publicação do livro é muito mais do que um clássico, Hiroshima é um relato documental histórico de seis pessoas comuns, utilizando uma narrativa de fácil acesso a qualquer leitor, mas que o permite tomar conhecimento de como uma população pode ser afetada por um bombardeio durante o ato principal, até quarenta anos após a explosão, isso porque as consequencias são inevitáveis: jovens mutiladas, homens e mulheres estéreis, nascimento de crianças deformadas e mortes, muitas mortes. John Hersey soube escrever com eficiência a história, sem se prender a política vigente da época e explorando principalmente os detalhes. E é por isso que ele se destaca em meio a tantos jornalistas e suas publicações.

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