Blog da Morg


A relação mídia e violência no caso do seqüestro e da morte de Eloá Pimentel

Posted in Atualidades,jornalismo,Outros por Morgana Gualdi Laux em dezembro 15, 2008
Tags: , , ,

O que marcou mesmo essse ano foi a morte da jovem, o desfecho trágico de uma situação em que profissionais são mal preparados e não recebem verbas o suficiente para cumprirem o seu papel. Além disso, houve a presença de uma imprensa sensacionalista, que visou o exagero. O meu artigo cientifico, o primeiro que realizei em 2008, foi sobre o caso Eloá Pimentel. Resolvi postá-lo no blog, afinal quero compartilhar desse conhecimento para com os leitores:

A relação mídia e violência no caso do seqüestro e da morte de Eloa Pimentel
Morgana Laux, Kauã Sommer, Diogo Puhl Pereira , Bolívar Duarte

Resumo

Ao longo de décadas, o jornalismo brasileiro se apresenta não como a melhor versão dos fatos que alguém pode obter, mas sim como uma forma de espetáculo sobre qualquer acontecimento relacionado a violência. As emissoras e os veículos de comunicação desejam, de qualquer modo, fornecer uma – rápida – resposta ao seu público, expondo indivíduos, sendo eles supostas vitimas ou vilões. O seqüestro da menina Eloá Pimentel por parte de seu ex-namorado Lindemberg, por exemplo, foi noticiado de forma calorosa na mídia, afinal enquanto ocorria àquela determinada situação, pouco se comentou nos jornais, na televisão, assim como na Internet e no rádio sobre a morte de Rodrigo Sendas, empresário responsável pela rede de supermercados Sendas. Nesse artigo, de certa forma, comprovamos que o jornalismo brasileiro, por esses e por demais exemplos, está inclinado ao sensacionalismo, ou seja, os meios de comunicação adotam uma postura editorial que se caracteriza pelo exagero e pela dramaticidade, o produto final, sem dúvidas, é a comoção do telespectador, do ouvinte ou do leitor. Essa abordagem, diferente de outros trabalhos, dá ênfase a depoimentos de comunicadores, profissionais que visualizam essas situações e apresentam críticas ao próprio panorama no qual estão inseridos. Esses experimentos, por sua vez, mostram que esse modo de noticiar tornou-se, então, mais do que uma cultura, e sim uma ferramenta, um recurso a ser utilizado pela mídia devido à concorrência.

Palavras chaves

Jornalismo, mídia, sociedade e violência

Key words

Journalism, media, society and violence

Introdução

É visível a crescente exposição pública da violência. A mídia se apresenta como responsável pela disseminação de informações. Contudo, muitas vezes, transforma pequenos casos em grandes espetáculos. O seqüestro da adolescente Eloá Pimentel, em São Paulo, foi repercutido de forma intensa por todos os meios de comunicação e tornou-se o melhor modo para atrair o público. A exposição desse problema no artigo, sem dúvidas, auxiliará leigos no assunto, mas também comunicadores a compreender e entender o papel da mídia e como ela se apresenta atualmente.
O propósito desse trabalho é definir o relacionamento da mídia e o comportamento de seus profissionais, o modo como eles agem de acordo com as situações de violência, ou seja, participando em determinados momentos e, até mesmo, de grandes desfechos.
Além disso, utilizamos para esse estudo, métodos como entrevistadas despadronizadas, buscando sempre o aprofundamento de cada entrevistado: jornalistas, psicólogos, sociólogos, advogados e policiais. Sendo assim, indivíduos capazes de argumentar e criticar a respeito de qualquer aspecto relacionado a casos de violência e suas repercussões nos meios de comunicação.
No artigo, serão abordados dois tópicos: A apresentação da mídia e o seu papel, ou seja, um aprofundamento da imprensa no Brasil e como ela se porta para noticiar os principais fatos, além de O jornalismo no seqüestro da adolescente Eloá Pimentel. Nesse, respectivamente, há uma análise profunda sobre o envolvimento de jornalistas durante o transcorrer do caso.

A apresentação da mídia e o seu papel

O jornalismo é a profissão principal ou suplementar das pessoas que reúnem, detectam, avaliam e difundem as noticias, mas também daquelas que comentam os fatos do momento, segundo o jornalista e professor Fabian Chelkanoff Thier. Os comunicadores, por sua vez, devem fornecer ao seu público, independente de quem ele seja, a melhor versão da verdade, ou seja, devem informar com imparcialidade, ética, seriedade e compromisso.

No Brasil – a exemplo do que acontece na Europa –, o principal modo para noticiar é a partir do sensacionalismo. Os meios de comunicação adotam uma postura editorial que se caracteriza pelo exagero. Sendo assim, apresentam um apelo emotivo para atrair o público. As imagens, – tanto nos jornais quanto na televisão –, são o maior recurso utilizado. Elas são caracterizadas por expressões fortes e generalizadas. O espectador a partir da visualização se sensibiliza e motiva-se. Além disso, sob essa óptica insere-se na notícia devido a reflexões e pensamentos. O resultado final como maior exemplo são manifestações diante de casos como o do casal Nardoni e a menina Isabella, ainda não definido. Além disso, a participação dos telespectadores também se tornou visível diante de desfechos trágicos como o de Eloá Pimentel. Trinta mil pessoas compareceram em seu velório e dez mil em seu enterro. Emissoras como a Globo News e a Record News transmitiram, ao vivo, uma programação completa sobre os dois “eventos”.

Entretanto, se a televisão expõe intensificadamente um fato, o jornal sensacionalista já apresenta imagens cruas, ou seja, na capa ou na contracapa são inseridos retratos fieis da extrema violência urbana. O Diário do Litoral, de Santa Catarina, fundado em 12 de janeiro de 1979, pelo advogado Dalmo Vieira, conhecido popularmente como Diarinho, apresenta como recurso principal a utilização de fotos apelativas, em que aparecem sujeitos claramente expostos. A legenda é composta por palavras de baixo calão, assim como o restante das matérias. O Diarinho, apesar de apresentar essas características, conta com 48 páginas e uma tiragem de nove mil exemplares. O público aprova essa postura adotada pelo veículo de comunicação. Contudo, surge uma questão ser abordada: o jornal baseia-se no interesse público ou no interesse do público?

Luiz Carlos Prates, radialista e jornalista, por exemplo, acredita que a imprensa tem como dever informar o público, contudo, sem abranger estupidamente casos como o da Menina Eloá. Já Fabian Chelkanoff Thier afirma que “Se tu fores pelo interesse do público, único e exclusivamente tu podes te ferrar. Se tu fores exclusivamente pelo interesse público, tu podes te ferrar também. Tu tens que conseguir juntar as duas coisas”. Portanto, como informou o professor, a mídia é fundamental. Ela tem extrema importância, porém deve somente denunciar os fatos de violência, não os expondo, uma vez que não deve gerar ainda mais violência.

O jornalismo no seqüestro da adolescente Eloá Pimentel

A partir desse modo de noticiar sensacionalista, a mídia procura aprofundar um determinado fato, transformando-o em espetáculo. O modo de noticiar o seqüestro da adolescente Eloá Pimentel, por parte de seu ex-namorado Lindemberg Alves, durante os dias 13 de outubro e 17 do mesmo mês de 2008, reflete essa postura adotada pelos principais meios de comunicação brasileiros.

A imprensa abrangeu, de forma intensa, qualquer detalhe minucioso e os noticiários, por sua vez, realizaram grandes coberturas. O caso, segundo Luiz Carlos Prates, passou a ter uma tonalidade de relevante para o público, mas não a ponto de se tornar uma novela que tomou conta de todos os canais. Contudo, também ocorreram grandes perdas de informações, ou seja, dados de utilidade infinitamente superiores não foram levados ao público, posto que, não havia espaço nos programas. O seqüestro tomou conta de quase 70% dos programas jornalísticos.

Portanto, a função jornalística, sem dúvidas, apagou-se mediante o sensacionalismo. Esse modo de noticiar tornou-se, então, mais do que uma cultura, e sim uma ferramenta, um recurso a ser utilizado pela mídia devido a concorrência entre as emissoras e os veículos de comunicação. As entrevistas exclusivas tornaram-se os maiores objetivos para alcançar uma grande audiência. Durante o desenvolvimento do seqüestro de Eloá, por exemplo, o pai da adolescente foi entrevistado pela Record. Não obstante, o familiar era procurado pela polícia, acusado de homicídios. Essa atitude, comentada por diversos jornalistas, foi repercutida de modo negativo pelo apresentador Datena, que não apenas ficou irritado com a emissora, mas também a criticou: “É uma emissora irresponsável que fala com bandido e acoberta um foragido da justiça”.

Logo, o papel da imprensa serve para informar o público, porém em situações de extrema violência, ela influencia claramente no seu desenvolvimento. Rodrigo Pimentel, sociólogo e ex-integrante do BOPE, mencionou a seguinte colocação sobre o seqüestro da adolescente Eloá e a participação do jornalistas : “A Sonia Abrão da Rede TV!, a Record e a Globo foram irresponsáveis e criminosas. O que eles fizeram foi de uma irresponsabilidade tão grande que eles poderiam através dessa conduta deixar o domador das reféns mais nervoso, como deixaram. Poderiam atrapalhar a negociação, como atrapalharam. O telefone de Lindemberg estava sempre ocupado. E o capitão Adriano, não conseguia falar com o negociador, porque Sonia Abrão queria entrevistá-lo. Então essas emissoras e esses jornalistas criminosos e irresponsáveis devem optar na próxima ocorrência entre ajudar a polícia ou aumentar sua audiência. O Mistério Público de São Paulo deveria inclusive chamar a atenção dessas emissoras de tv”.

A apresentadora Sônia Abrão, do programa A Tarde É Sua, da RedeTV! conversou com Lindemberg por telefone durante o desenvolvimento do seqüestro. A produção do seu programa obteve o número do telefone do indivíduo mediante a aceitação dos próprios familiares dele. Luiz Guerra, repórter do programa, pouco antes de a atração ir ao ar, iniciou o diálogo com o adolescente e realizou uma gravação, porém, logo depois, Lindemberg se propôs a falar ao vivo com Sônia Abrão. Sem dúvidas, esse tipo de ação, ou seja, a presença de inúmeros jornalistas, inibiu a ação de policiais. A apresentadora apesar de ter se interferido em um momento no qual eram realizadas as negociações para libertar Eloá Pimentel, acredita que realizou um trabalho jornalístico, afinal outras emissoras sérias como a Globo e a Record também dariam a entrevista.

Essa postura, que claramente influenciou no desenvolvimento do seqüestro, adotada pela apresentadora não foi a única apresentada pelos comunicadores para atrair uma audiência em prol da exposição intensificada de Limbemberg Alves, de Eloá Pimentel e de Naiara Rodrigues. Após o desfecho trágico, em que o jovem baleou sua namorada e também a amiga dela, a Record proporcionou ao seu público, imagens exclusivas de Lindemberg preso no Centro de Detenção de Pinheiros. A emissora registrou no horário em que as imagens foram ao ar, das 20:20 às 21:35, 14 pontos de média, 21% de share e 20 pontos de pico. O repórter Roberto Cabrini ao apresentar o vídeo não deixou de mencionar frases que comoveram o público: “Uma mente perturbada em uma história de amor, ódio e morte”.

A Rede Globo, emissora que iniciou suas atividades no dia 26 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, considerada uma das maiores de toda a América e a terceira maior do mundo, é acompanhada por 80 milhões de telespectadores diariamente. Contudo, em relação ao caso Eloá se manifestou sem cautela e, até mesmo, noticiou de forma errônea a morte da adolescente. O plantão de jornalismo da Rede Globo, assim como a da Rede TV!, divulgou antecipadamente o falecimento da jovem, uma vez que ele ocorreu somente no dia 18 de outubro e não no dia 17 do mesmo mês, ou seja, noticiaram mesmo o hospital não confirmando a morte da jovem. No Jornal Nacional, programa da Rede Globo, a emissora comentou sobre a informação divulgada erradamente pela Assessoria de Imprensa do Governo de São Paulo, explicando também que chegou a receber a informação sobre a morte da jovem por meio da Área de Segurança Pública. Contudo, outras notícias davam conta de que Eloá havia sido reanimada na sala de cirurgia e que no momento estava em coma induzido.

Sendo assim, é visível a preocupação dos meios de comunicação para noticiarem de forma rápida. A concorrência torna-se o objetivo principal e o produto final é baseado no interesse do público. Paulo Mendes, editor de Polícia do Correio do Povo, jornal circulado no Rio Grande do Sul, mencionou a seguinte colocação: “Sem dúvida foi uma cobertura que primou pela espetacularização e que levou em conta os índices de audiência acima de tudo. Minha opinião é que tivemos uma cobertura lamentável em todos os aspectos e que acabou da forma que a mídia sempre quis, ou seja, com sangue. Devo dizer, em nome da Justiça, que o rapaz, Lindemberg, é o culpado pela morte da jovem Eloá, isso não resta dúvida. Mas creio que depois temos outros culpados por tabela. A imprensa, a Polícia, os pais, etc. E como o nosso ponto é a imprensa, faria algumas observações: um criminoso tem que estar ao vivo dando entrevista na televisão quando mantém duas pessoas reféns? Um sujeito que não é ninguém de repente deve ser alçado à condição de pop star, em um segundo, apenas porque está cometendo – veja bem – um ato criminoso de alto grau? A Polícia não deveria restringir a comunicação do criminoso, neste o caso o seqüestrador, com o mundo exterior, cortando luz, telefone do local onde ele se encontra, tornando-o mais vulnerável e deixando que pense ser o senhor do mundo e ter todos na mão? Sabendo disso, porque a Polícia deixou que o caso se arrastasse por tanto tempo, sabendo, por exemplo, que a Swat não espera mais que dez ou onze horas para agir? E a imprensa, quanto mais o caso demorava, mais gostava.”.

Em suma, pode-se destacar, segundo Magda Vianna de Souza, Doutora em Sociologia, que ocorreu uma inversão de valores, onde a audiência foi o ponto alvo dos meios de comunicação, e não a informação em si. O modo sensacionalista como foi noticiado resultou anteriormente no pré-julgamento feito pela imprensa no caso dos Nardoni, em que ela se apresentou tendenciosamente e imparcialmente, afinal declarou os suspeitos culpados, até mesmo, antes das investigações serem concluídas. A imprensa brasileira nesses dois casos foi completamente antiética, seja pela forma como os cobriu, mas também pelos métodos que utilizou para que houvesse uma centralização no furo jornalístico.

Para a psicóloga Susana Azevedo, formada pela Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo, Brasil, o enredo repassado pelos jornais e telejornais denunciaram uma desestrutura tanto da família da menina quanto do próprio rapaz Lindemberg. Todos os fatos demonstrados eram comprovações da falta de afetos e de limites de algumas famílias, onde as reações passam a ser de total desrespeito pela liberdade do outro.

Outro representante da área que demonstra conhecimento sobre os fatos ocorrido é Luis Francisco Zinga, advogado. O profissional mencionou, durante a entrevista, a seguinte colocação: “A polícia e o Ministério Público conduziram de maneira infeliz as negociações com o tal Lindemberg (em todos os sentidos), isto posto há que se observar que a esta altura o inquérito deve estar terminado e o Ministério Público (promotor) deverá oferecer a denúncia, assim sendo, o réu (Lindemberg) deverá apresentar defesa (princípio do contraditório, afinal todo o réu tem direito a defesa (em um caso como este te confesso que eu encontraria muita dificuldade em fazer esta defesa).

Entretanto, se não faltaram críticas a imprensa, logo não faltaram inúmeros comentários sobre a postura que a polícia apresentou durante o desenrolar da história. As dúvidas sobre quem atirou primeiramente, ou seja, se foi Lindemberg ou os policiais, foi colocada em destaque. Após a tragédia, os meios de comunicação adotaram como tema principal repercutir sobre como os policias se posicionaram e também sobre os transplantes que foram realizados devido a morte de Eloá e a doação de seus órgãos.

Para o Major Silvio Roberto Diehl, expor sua opinião publicamente sobre o seqüestro ficaria complicado, afinal ele recebe a orientação de se manifestar mediante o conhecimento do Comando Geral da BM. Não obstante ele mencionou a seguinte frase em relação ao caso Eloá: “Pecamos em comentar ações que não expressam a realidade e a veracidade dos fatos, cria-se um circo de atuação onde não se teve acesso a relatórios nem depoimentos dos envolvidos. A imprensa em geral muitas vezes é tendenciosa, conduz a opinião pública para um lado onde a convicção pode não ser a realidade; em outras oportunidades ajuda a desvendar algum erro no atendimento da ocorrência.”.

Além disso, o Major mencionou que no quartel aonde atua ocorreu contato com a PMSP (Polícia Militar de São Paulo) e que foi explicada as ações desencadeadas, baseado nos manuais de atendimento. Também foram analisados os fatores intervenientes. Sobre os fatos relacionados a polícia destacou que a única coisa que não deveria ter acontecido na ocorrência foi a vítima (Naiara) ter retornado ao local do seqüestro e terem permitido ela adentrar no cativeiro. Já Sérgio Lemos Simões, também Major, não acredita que houve influência da mídia nas decisões da polícia, pois estas devem estar isentas e não deixar se influenciar. Contudo, o contato do seqüestrador com a mídia atrapalhou em muito as negociações, pois fez agigantar-se o tomador de refém. Ocorreu a transformação de um drama social em espetáculo surreal de jornalismo, de baixa qualidade e caracterizado por um sensacionalismo barato em torno da desgraça alheia.

Segundo Nikão Duarte, jornalista e atual Assessor de Imprensa da Pontifícia Universidade Católica, é preciso realizar uma observação sobre o caso. Afinal, todos querem a mídia como aliada e a seu serviço: os poderes constituídos, os setores da sociedade, os clubes esportivos e os políticos. Todos pensam em usar a mídia em benefício próprio. Mas o Jornalismo, os jornalistas e, portanto, os meios de comunicação, só têm de estar a serviço de uma situação: o interesse público. Isso é ético; o resto é discutível a cada situação.

É necessário os meios de comunicação atenderem ao seu serviço básico: a informação, porém baseada em dados concretos. Casos de violência, como o da adolescente Eloá, devem ser denunciados, não expostos. O jornalista deve aprofundar e ampliar o conhecimento sobre qualquer fato, mas deve lembrar-se que é o profissional responsável pelo produto final que chega ao telespectador, ao ouvinte e ao leitor. Sendo assim, por essa razão, torna-se, de certo modo, um formador de opinião. Além disso, também deve-se lembrar que ao denunciar qualquer infrator, oriundo de um mesmo núcleo social, sendo ele o resultado de uma sociedade decadente em moralidade, é realizada uma relação entre causa e feito, ou seja, a mídia, capaz de reforçar os aspectos mais negativos durante o desenrolar das situações de crise, torna-se um agente nocivo de atuação indireta dos acontecimentos, uma vez que fomenta o que há de mais instintivo nas massas populares.

Conclusão

O artigo apresentou análises, comentários e depoimentos de jornalistas em relação ao seqüestro da adolescente Eloá Pimentel pelo seu ex-namorado Lindemberg Alves. Além disso, foi realizada e colocada em pauta a pesquisa sobre o jornalismo no Brasil e a postura adotada pelos principais meios de comunicação em relação a casos de violência.
Como resultados encontramos, indiscutivelmente, a presença de uma questão anti-ética nas emissoras nacionais, pois o serviço, ou seja, a informação foi deixada de lado para abrir espaço ao ganho de audiência. Dois aspectos foram analisados: o interesse público e o interesse do público.
É necessário realizar trabalhos que abordem a questão dos meios de comunicação e a postura que eles manifestam, afinal sejam leigos, sejam futuros profissionais, todos precisam saber quais alterações devem ser realizadas nos trabalhos jornalísticos. Os leigos, por sua vez, por serem respectivamente o público que recebe o produto final e os futuros profissionais por serem aqueles que irão determinar e produzir o conteúdo a todos.
Esse trabalho pode servir de modelo para explorar também outras situações de violência repercutidas na mídia, uma vez que contem inúmeros dados sobre esses acontecimentos.

Fontes

http://video.aol.com/video-detail/notcia-falsa-divulgada-pela-globo-e-redetv-sobre-o-caso-elo/230614038

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_Globo

http://www.cafecompao.com/datena-critica-imprensa-sobre-o-caso-de-eloa-e-lindemberg/

Sociedade, mídia e violência
Muniz Sodré
2ª Edição – 2006
Editora Sulina e Edipucrs

2 Respostas to 'A relação mídia e violência no caso do seqüestro e da morte de Eloá Pimentel'

Subscribe to comments with RSS ou TrackBack to 'A relação mídia e violência no caso do seqüestro e da morte de Eloá Pimentel'.

  1. Sérgio Campos Gonçalves said,

    Gostei. Parabéns
    Abç,
    Sérgio

  2. Sérgio Campos Gonçalves said,

    Olá,
    Pelo formato eu já desconfiava que se tratava de um trabalho universitário.
    O problema da cobertura sensacionalista do caso Eloá reflete um problema maior, estrutural, da forma como os meios de comunicação são organizados. É por isso que criticamos e sentimos que não conseguiríamos fazer diferente. É um problema que já em longa data vem sendo discutido no meio acadêmico… que remonta à Escola de Frankfurt.
    Bom, parabéns novamente pelo trabalho no Blog. Continuarei freqüentando.
    Grande abraço,
    Sérgio.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: