Blog da Morg


Quando chega a hora…

Enviado em pessoal por Morgana Gualdi Laux no Setembro 1, 2009

O meu maior medo sempre foi a morte. Acho triste toda a questão filosófica em torno da polêmica de onde viemos e para onde vamos. Nunca questionei nada disso e nunca encontrei respostas nas religiões ou em algo parecido. Tenho medo de me despreender das paisagens mais belas, dos sentimentos mais comuns, da felicidade. Sinto tristeza, pois sei que vou partir de um mundo no qual não aproveitei muito ou, simplesmente, apenas tenho a sensação de não ter aproveitado todos os momentos como eu gostaria.
Terça-feira passada, meus pais, de acordo com a minha opinião, tomaram uma das decisões mais importantes de nossas vidas: sacrificar o nosso bicho de estimação. Há algum tempo ele apresentava um comportamento estranho e colocava em risco a nossa segurança, tentando nos morder perigosamente. Ele também parecia sofrer, debatendo-se e abrindo feridas pelo corpo. O Pirata, sem dúvidas, era lindo, meigo e afetuoso e é disso que me lembro até agora.
Foi uma decisão difícil e que provoca lágrimas até agora no rosto da família inteira. Meu pai chorou tristemente, como eu nunca tinha visto. Minha mãe não se habituou com a ausência dele em casa. Imaginamos os motivos pelos quais ele teria se tornado agressivo. No entanto, damos a ele quatro anos e meio de muito amor. E também várias oportunidades, várias idas ao veterinário. Não faltou carinho, ração da melhor qualidade e brincadeiras a qualquer hora.
Mas é triste. Até agora eu me lembro dos momentos que deixei de vivenciar ao lado dele. Fico triste de não ter deixado ele amassar algumas folhas do meu caderno e de não ter mordido alguns dos meus tênis. Hoje, eu deixaria ele pegar a bolinha na corrida, deixaria ele passear mais pelo espaço fora do apartamento, deixaria ele dormir mais na minha cama. Hoje, eu faria tudo aquilo que não fiz. Eu realizaria todos os desejos dele, pois sei que amei o bastante ele, mas não aproveitei tudo que poderia aproveitar ao lado dele.
Pirata, tu será inesquecível na minha vida. Não haverá gato para te substituir. Só ficaram as melhores lembranças, pode ter certeza.

2 Respostas para 'Quando chega a hora…'

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  1. Ana Paula Araújo disse,

    A morte é certamente uma situação triste… não para quem vai, mas para quem fica. E não existe mesmo substituição. Mas que bom que as boas lembranças sempre há de ficar ne mesmo? Abraço. Adorei o blog.

  2. ana tartarotti disse,

    Bah Morg, fico triste também pelo Pirata.
    abraços


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