Blog da Morg


tic-tac…tic-tac…

Enviado em 1 por Morgana Gualdi Laux no Setembro 11, 2009
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Desde o início de nossas vidas, somos disciplinados a viver de dois modos diferentes: o primeiro com ansiedade, correndo contra o tempo, preenchendo todos os minutos com atividade reguladas pelo relógio. O segundo fica por conta de uma rebelação, ou seja, pelo não cumprimento das obrigações, pelo esquecimento das responsabilidades e pela livre vontade. É o comum “deixa para lá”. Eu optei, infelizmente, pelo primeiro desde o início da vida. E acho que muitos do que me rodeiam também.
Pode-se dizer que vivo feliz até agora, com meus quase vinte anos. Entretanto, recentemente, questiono-me sobre o transcorrer da minha existência : “O que aproveitei da minha vida?”, “O que realmente me fez e me faz feliz?”. Acabei por encontrar algumas respostas, depois de tantos pensamentos obscursos.
Perpetuamente senti o desejo crescente de esquecer tudo e de apagar todos os compromissos da minha agenda. No entanto, nunca consegui esse feito. Sempre apresentei a obrigação de responder pelas minhas ações próprias. Agora, nesse momento, observo que muito do que fiz, eu poderia ter deixado de fazer. Eu poderia ter dormido mais, ter faltado algumas aulas, ter preservado algumas amizades ou ter, simplesmente, deixado o tempo passar, sem meus livres impulsos e sem aquela responsabilidade presa a ansiedade cotidiana.
No final, sou produto de um modo de vida que atordoa os pensamentos das pessoas. Sou habituada a estudar feito robô, a trabalhar sem questionar e a produzir sem pensar. Assim como eu, outros também planejam atividades a serem cumpridas, mas ao menos sabem a razão de fazê-las. Esquecem dos amigos, de uma boa tarde de preguiça, tudo por levar em conta um modelo globalizado. Certo dia, uma professora questionou os alunos sobre o porque de realizar a faculdade de jornalismo e nenhum soube responder o motivo pelo qual escolheu o curso.
Talvez alguns saibam o porquê da Comunicação Social, mas talvez alguns só esperam o ponteiro do relógio se mover. Fazem das escolhas simples marcas de tinta em um papel, porque as escolhas são apenas responsabilidades. Marcar em um papel uma graduação, estagiar sem ter experiência, produzir matérias ou ler livros sem sentido fazem parte de um estilo de vida: o ansioso, o de atividade regulados pelo barulho inevitável do relógio.

Quando chega a hora…

Enviado em pessoal por Morgana Gualdi Laux no Setembro 1, 2009

O meu maior medo sempre foi a morte. Acho triste toda a questão filosófica em torno da polêmica de onde viemos e para onde vamos. Nunca questionei nada disso e nunca encontrei respostas nas religiões ou em algo parecido. Tenho medo de me despreender das paisagens mais belas, dos sentimentos mais comuns, da felicidade. Sinto tristeza, pois sei que vou partir de um mundo no qual não aproveitei muito ou, simplesmente, apenas tenho a sensação de não ter aproveitado todos os momentos como eu gostaria.
Terça-feira passada, meus pais, de acordo com a minha opinião, tomaram uma das decisões mais importantes de nossas vidas: sacrificar o nosso bicho de estimação. Há algum tempo ele apresentava um comportamento estranho e colocava em risco a nossa segurança, tentando nos morder perigosamente. Ele também parecia sofrer, debatendo-se e abrindo feridas pelo corpo. O Pirata, sem dúvidas, era lindo, meigo e afetuoso e é disso que me lembro até agora.
Foi uma decisão difícil e que provoca lágrimas até agora no rosto da família inteira. Meu pai chorou tristemente, como eu nunca tinha visto. Minha mãe não se habituou com a ausência dele em casa. Imaginamos os motivos pelos quais ele teria se tornado agressivo. No entanto, damos a ele quatro anos e meio de muito amor. E também várias oportunidades, várias idas ao veterinário. Não faltou carinho, ração da melhor qualidade e brincadeiras a qualquer hora.
Mas é triste. Até agora eu me lembro dos momentos que deixei de vivenciar ao lado dele. Fico triste de não ter deixado ele amassar algumas folhas do meu caderno e de não ter mordido alguns dos meus tênis. Hoje, eu deixaria ele pegar a bolinha na corrida, deixaria ele passear mais pelo espaço fora do apartamento, deixaria ele dormir mais na minha cama. Hoje, eu faria tudo aquilo que não fiz. Eu realizaria todos os desejos dele, pois sei que amei o bastante ele, mas não aproveitei tudo que poderia aproveitar ao lado dele.
Pirata, tu será inesquecível na minha vida. Não haverá gato para te substituir. Só ficaram as melhores lembranças, pode ter certeza.