Obesidade, a vilã silenciosa no Brasil
Doença mata mais que a AIDS no país
Morgana Laux
Apesar dos grandes riscos que envolvem doenças como a Aids, pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde apontam que a obesidade mata mais que o vírus da imunodeficiência. Anualmente, 80 mil indivíduos morrem no Brasil em decorrência das complicações provocadas pelo excesso de gordura no corpo. Devido a esses e outros fatores, o governo gasta cerca de R$ 1,45 bilhão ao ano no combate e prevenção de doenças relacionadas a obesidade, como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e emocionais.
Conforme o Ministério da Saúde, os índices de 2009 apontam que 13% da população brasileira é obesa. Os números relacionados ao sedentarismo diminuíram entre 2006 e 2008, no entanto, a proporção de obesos continua crescendo no Brasil. Um levantamento de dados realizado por telefone em 27 capitais constatou que 43,3% dos moradores delas estão com excesso de peso. Porto Alegre é, entre os grandes centros, a cidade que apresenta índices mais preocupantes: quase metade da população está acima do peso (49%) e 15,9% são obesos, constatou a pesquisa.
O aumento de peso não está relacionado com a renda financeira do indivíduo, mas, sim, com o que ele come. Os hábitos alimentares influenciam na questão do peso, já que brasileiro tem optado por comer fora de casa, optando com freqüência pelas refeições rápidas, os fast foods.
A alimentação baseada em lanches como cachorro quente, sanduíche, cheese burger e outros, entretanto, traz prejuízos lentos e graduais ao corpo humano. Fernanda Guidi Colossi, nutricionista do Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da PUCRS, alerta que obesos tendem a ter cansaço e apnéia do sono, pois o acúmulo de gordura na faringe faz a pessoa roncar e ter pausas respiratórias enquanto dorme, isso pode levar ao aumento de pressão e também à possibilidade de derrame. Pedra na vesícula, assim como gordura no fígado, refluxo esófagico e tumores no intestino também são doenças relacionadas ao excesso do peso. Outro problema que obeso sofre com freqüência é a diminuição da auto-estima e até a depressão.
A especialista também orienta as pessoas que apresentam alguns quilos a mais a fazer uma dieta equilibrada, que consiste, sem dúvidas, no auxílio do profissional da área. “Para reverter o quadro de 80 mil pessoas mortas por ano em decorrência da obesidade, seria preciso intervenções precoces com orientação nutricional preventiva desde a infância, facilitando acesso ao tratamento para modificar curso da doença antes de já termos comorbidezes associadas, ou seja, A presença de doenças associadas à obesidade”.
Além disso, Fernanda alerta para a demora na procura de ajuda profissional, o que acontece somente depois da descoberta de doenças. “Normalmente as pessoas procuram o profissional de saúde após alguma doença instalada, não é habito uma busca com objetivo de prevenção. A busca vem após um infarto, alteração em exame laboratorial, peso desajustado, internação hospitalar, etc. O ideal seria que as pessoas buscassem saber como deveria ser sua alimentação para que não desenvolvessem problemas de saúde”.
Para diminuir o índice de obesidade é preciso recorrer a métodos saudáveis. “A prática de exercícios pode ajudar consideravelmente, mas o melhor é a associação entre atividade física e alimentação equilibrada, mas o exercício já diminui o risco”.
Como saber se a pessoa é obesa?
Para saber a respeito do índice corporal, basta realizar o IMC, ou seja, um método simples e amplamente difundido de se medir a gordura corporal. O IMC é calculado da seguinte forma: dividi-se o peso do indivíduo em quilos pelo quadrado de sua altura em metros. Segundo o valor do cálculo é estabelecido o seguinte padrão:
* IMC menor que 18.5 é abaixo do peso
* IMC entre 18.5 e 24.9 é normal
* IMC entre 25.0 e 29.9 é acima do peso
* IMC entre 30.0 e 39.9 é obeso/a
* IMC de 40.0 ou mais é severamente (ou morbidamente) ‘obeso(a)’

Matéria presente no jornal Hipertexto – edição de julho
em agosto 3, 2009 em 5:17 pm
Excelente artigo.
Obrigado pela informação.
Cumprimentos
em janeiro 23, 2010 em 12:21 pm
Oi, Morgana
Adorei a reportagem. Sou formanda de Psicologia e realizarei uma pesquisa com pessoas obesas em tratamento para perda de peso sobre as expectativas em relação ao emagrecimento, previsão de início em abril.
Resido em Porto Alegre e gostaria de saber se você tem alguém com interesse em participar. A entrevista é realizada pessoalmente e não terá custo com deslocamento.
Agradeço se puder me ajudar.
Francine
em fevereiro 6, 2010 em 11:12 am
Olá Francine! Que bom que você gostou da reportagem.
Infelizmente não poderei te indicar pessoas para a pesquisa, mas o que precisares, pode enviar mensagem para mim.
Desculpa pela demora, mas pode contar comigo.
Abraços!