POR DENTRO DO CANIL DO BOE
Por dentro do canil do BOE
Instituição conta com 26 cães para auxiliar nas operações
Por Morgana Laux
Com 26 cães, seis farejadores de drogas e dois de explosivos, o canil do Batalhão de Operações Especiais (BOE) completou 45 anos auxiliando na segurança em todo o Estado. Fundado em 1964 por um soldado, o departamento iniciou suas atividades com cães de patrulha que realizavam a proteção do policial, a intervenção em estabelecimentos penais e abordagens em locais de difícil acesso. Ao longo dos anos, a estrutura e o treinamento foram se aprimorando e, atualmente, o setor, localizado na Rua Coronel Aparício Borges, 2001, apresenta cães de raças variadas de labradores, pastores do tipo alemão, branco, capa preta e malinua, além de rottweilers.
O canil, que trabalha com doações de filhotes, seleciona determinadas raças, pois já se conhece a habilidade destas para funções específicas. “O labrador tem mordida geneticamente mais fraca, suas células olfativas são mais aprimoradas, no entanto, em relação aos demais. Ele tem inteligência instintiva, mas não quer dizer que todos labradores são bons caçadores e também não quer dizer que outras raças não possam ser. Mas como a polícia tem pouco tempo, nós buscamos nessas raças (labrador, pastor e rotweiller) em que é mais fácil encontrar o cão para trabalhar”, informa o capitão Carlos Magno da Silva Vieira.
Depois da seleção, o treinamento com cão dura no mínimo um ano. Nesse período, ele deve se socializar com tudo e se acostumar com ruído de avião, de navio, com disparo de arma de fogo e, até mesmo, com silêncio, hoje raro, mas muito importante. O treinamento consiste em trabalho de base, de obediência às ordens de permanecer no local, andar ao lado da perna esquerda, obedecer ao comando de deita e também de fica.“O treinador forma todo o adestramento básico do cão, porém, os dois juntos, pode-se dizer, formam um binômio. É com o treinador que o cão deve aprender a atuar em qualquer terreno. O tato do cão, a capacidade de percepção entra no terreno, aonde ele está pisando”, comenta o capitão do BOE.
Durante o treinamento, se o cachorro não realiza de modo correto a função, ocorrem advertências verbais. O capitão explica que, para penalizar o cão, o máximo que se faz é um tranco, ou seja, puxar o colar enforcador do animal. “Nunca se bate em um cão. É como uma criança, se bater nela, tu despertas uma agressividade. Com o cão é a mesma coisa”, argumenta Carlos Magno.
A recompensa, no entanto, para os treinamentos corretos, é o carinho do treinador. Além disso, a ração faz parte dessa etapa. “A ração tem que ser top de linha com 23% no mínimo de proteína e com determinados componentes, que são protetores de articulação, porque os cães de polícia saltam muito. Para ter esses componentes a ração deve ser da linha Premium”.
Após cumprir suas atividades no BOE, por nove ou dez anos, geralmente o animal vai para a casa do treinador. Se não for possível, uma comissão é formada para analisar candidatos que, muitas vezes, são do próprio Batalhão. Quando morre algum cão, todos sentem muito com a perda. “É muito triste quando um deles morre, porque são como integrantes de uma família. Nós sentimos muito”, diz o capitão, abatido com a transferência de um dos animais ferido em operação para o hospital veterinário.
O canil, que já forneceu dois cães para atuar nos jogos Pan Americanos, no Rio de Janeiro, fazendo buscas a comitivas de americanos e israelenses, é destaque no Rio Grande do Sul com o curso de cão farejador de explosivos. O capitão destaca que o sucesso do trabalho se deve ao carinho do homem com o cão. “Nós temos de melhor o trabalho em conjunto, essa união entre homem e o animal. A gente está sempre junto deles. É um requisito gostar disso. Nós somos uma grande matilha”, comenta.






Alunos têm rotina cansativa por pegar dois ônibus
Muitos dos jovens que estudam na PUCRS enfrentam dificuldades para pegar ônibus e se locomover até a faculdade. A questão do tempo e do dinheiro pesa para muitos. Entretanto, alguns ainda enfrentam a batalha diária de pegar dois transportes na ida e na volta. Esse é o caso dos estudantes que moram na Zona Sul de Porto Alegre. A linha T4, a qual passa pela Universidade, tem o seu destino final em frente ao Tumelero, precisamente na rua Icaraí, no bairro. Sendo assim, estudantes que moram nos bairros Tristeza, Vila Assunção, Vila Assunção e Ipanema, devem se deslocar, por meio de outro ônibus, para a parada mais próxima do T4, a fim de chegar na PUCRS.
Ezequiel Macpithenson Bitencourt, aluno do 2º semestre de Publicidade e Propaganda, se diz cansado da rotina de pegar dois ônibus para se locomover até a PUCRS.
- Cansa descer de um ônibus e pegar outro. O lance da passagem também incomoda. Se houvesse apenas uma linha, sobraria mais dinheiro para poder realizar outras atividades.
Entretanto, Ezequiel nunca pensou em cobrar do DCE ou da EPTC alguma atitude. Ana Carolina Fleischmann, estudante também de Publicidade e Propaganda, porém do 1º semestre, também não cogitou a ideia de reclamar para alguma instituição a situação que vivencia:
- Utilizo dois ônibus para voltar da PUCRS. O pior de tudo é que o t4, como passa na perimetral, sempre está cheio. Antes eu economizava com o dinheiro, no colégio eu não precisava pegar dois ônibus.
Outros estudantes já pensaram na possibilidade de reivindicar do DCE alguma melhoria na questão dos ônibus, porém acreditam que sozinhos não teriam voz ativa:
- Me incomoda o fato de gastar 40 minutos ou mais em um ônibus, sendo que de carro eu poderia gastar 10 minutos ou 15, no máximo. Já pensei em cobrar do DCE, mas sozinha acho que não ganharia muita atenção. Comenta a estudante Bruna Lima, de Relações Públicas, do 3º semestre.
Para Bárbara Bustai, do curso de Jornalismo, 1º semestre, o tempo é o fator que mais lhe incomoda:
- Acordo muito cedo. Às 6 horas da manhã. Gasto 1 hora e 10 minutos para chegar à faculdade. Se houvesse uma linha direta para a PUCRS seria muito bom.
Para muitos desses estudantes a implantação de um ônibus direto de seus bairros para a PUCRS significaria redução de custos, assim como redução de tempo. Atualmente, nos bairros da Zona Sul já é possível se deslocar para o campus de Viamão da UFRGS com apenas um ônibus, devido a criação da linha Belém Velho/Cristal.
Futebol e mulheres
A participação da mulher no panorama futebolístico está crescendo, talvez pela representação das meninas nas Olimpíadas recentemente. Apesar do resultado não esperado pelos brasileiros, o esporte está sendo alvo de muitos comentários.
Dentro dos gramados contamos com Marta, a eleita melhor do mundo pela Fifa em 2006 e 2007, Cristiane que, atualmente, joga na equipe feminina do Corinthians e Daniela Alves que iniciou sua carreira profissional aos 13 anos e hoje joga no Mato Grosso do Sul/SAAD.
No cenário mundial, o Brasil, no entanto, apesar de contar com essas grandes jogadoras, está em 4º lugar no quadro de medalhas da Copa do Mundo (realizada pela primeira vez somente em 1991). Os três primeiro lugares são seguidos, respectivamente, por: Alemanha, Estados Unidos e Noruega.
A grande participação feminina dentro dos gramados na Europa pode ser atribuída a uma cultura que incentiva a inserção da mulher no esporte, seja praticando-o, seja torcendo.No continente, por exemplo, o público feminino é responsável por uma movimentação superior a 4 milhões de euros por jogo da Eurocopa. Nessa constatação são incluídos os itens relacionados a partida, mas também produtos licenciados, além das refeições, acomodações e transportes.
Já aqui no Brasil a situação é diferente dos demais países. Na nação em que o futebol se tornou mais do que um esporte e sim uma atividade a ser observada nos domingos e a ser acompanhada nos jornais durante os outros dias da semana, a mulher não tem tanta participação, pelo menos o quanto gostaria. Os estádios são preenchidos por figuras femininas quando são realizadas promoções como, por exemplo, a do Dia Internacional da Mulher.
O quadro social do Grêmio é composto por 10% de mulheres e o do Inter fica em proporção de 14%. Há também como destaque o Núcleo de Mulheres Gremistas que conta com cerca de 80 participantes para a realização de excursões para apoiar o time onde ele estiver. O Inter conta com o Espaço Mulher Colorada, com cerca de 40 torcedoras.
Esses dados não tão expressivos revelam o quanto o esporte precisa ser divulgado entre o público feminino, ou as meninas terão que continuar a expor cartazes com os dizeres: “Brasil, precisamos de apoio”, logo em cerimônias como a da premiação da Copa do Mundo de Futebol Feminino (2007).
** Meu primeiro texto publicado em jornal impresso (2008). A primeira experiência tem espaço garantido aqui no blog.
Glossário de Jornalismo – Por Maria Rosane Ribeiro – Colaboração: Maria Cláudia Oliveira
Ano passado, com muitas dúvidas, no primeiro semestre de jornalismo, resolvi procurar os termos tão dificies que me deparava. Depois de encontrado um ótimo arquivo, coloco a disposição de vocês:
A
Abrir Foto – Ampliar o tamanho da foto na página. Este artifício é usado para valorizar uma foto de qualidade ou cobrir espaço quando o texto é pequeno.
Articulista – Pessoa que escreve artigos para jornais e revistas.
Artigo – Texto opinativo assinado. De responsabilidade exclusiva do autor, pode expressar opiniões diferentes das emitidas pela publicação.
Aspas – Declaração inserida em uma matéria. Atenção: a expressão: Preciso de umas aspas refere-se à necessidade de se inserir um personagem no texto.
B
Baixar – Mandar uma página para as oficinas do jornal. Aí termina o trabalho editorial e começa a parte industrial do processo.
Bigode – Fio de um ponto tipográfico que serve para marcar uma separação visual entre textos e/ou ilustrações. Sua característica é não ocupar toda a medida do material que ele separa. É centralizado nela de forma a deixar margens brancas de igual extensão nos dois lados.
Barriga – Matéria com informações falsas ou erradas.
Box – Recurso editorial que se reveste de forma gráfica própria. Um texto que aparece na página entre fios, sempre em associação íntima com outro texto, mais longo. Pode ser uma biografia, um diálogo, uma nota da redação, um comentário, um aspecto pitoresco da notícia.
“Briefing” – Significa informe. Em jornalismo, pode ser usado em dois sentidos: instruções sobre a execução de uma tarefa ou resumo de informações sobre qualquer evento que uma fonte dá aos jornalistas, quase sempre oralmente.
Buraco – Fato que ocorre quando os textos e fotos ou ilustrações não são suficientes para preencher um espaço previsto. O editor tem como opção aumentar o corpo (tamanho da letra) do texto, aumentar a foto ou a ilustração.
C
Cabeça – Marca no alto da página usada para definir a Editoria responsável pelo trabalho. Em alguns jornais, como no Correio Braziliense, é usada para definir o tema da página.
Cabeçalho – Informações gerais e obrigatórias sobre a publicação. Inclui número da página, título e data da publicação.
Caderno – Conjunto impresso formado por no mínimo quatro páginas. Veja também suplemento e macarrão.
Calhau – Anúncio do próprio jornal usado para cobrir espaço não utilizado na página. O calhau é muito usado para substituir anúncios que ‘caíram’, quase nunca para substituir matérias.
Cartola – O mesmo que retranca ou chapéu. Uma ou mais palavras usadas para definir o assunto da matéria. É usada sobre o título do texto.
Chamada – Pequeno texto usado na primeira página para chamar a atenção do leitor para determinado material.
Chapa – Material metálico como matriz usado para imprimir o jornal. É coberto por uma película fotossensível queimada com a ajuda de um fotolito, revelada e instalada nas rotativas. Sobre ela se aplica tinta para a impressão. Usa-se uma chapa para cada uma das cores básica – Cyan, Magenta, Amarelo e Preto.
Chapéu – É uma palavra, nome ou expressão, sempre sublinhada, usada acima do título e em corpo pequeno, para caracterizar o assunto ou personagem da notícia.
Chefe de reportagem – Profissional que coordena os repórteres, determinando o que estes devem fazer. Nos organogramas das redações esse cargo vem sendo substituído pelo editor-assistente, que é responsável pela produção das reportagens.
Clichê – O mesmo que edição. Termo herdado dos primórdios do jornalismo. Para cada página de jornal era usado um clichê, um suporte metálico onde eram dispostos os tipos metálicos manualmente, formando frases e colunas. Antes da difusão do rádio e da televisão, os jornais tiravam várias edições atualizando o material publicado. Hoje, costuma-se fazer um segundo ou terceiro clichê para atualizar matérias importantes depois do horário de fechamento do jornal.
Clipping – Serviço de levantamento, coleção e fornecimento de recortes de jornais e revistas ou cópias de emissões de televisão ou rádio. O clipping pode ser restrito aos interesses imediatos da empresa ou mais amplo. Em geral, é feito por empresas especializadas.
Cobertura – Atividade do repórter ou equipe de reportagem no local de um acontecimento.
Coluna – Seção de jornal ou revista, assinada ou não, tratando de temas ligados à editoria ou seção. Podemos encontrar colunas nas seções ou editoriais de política, economia, artes, agricultura, esportes, etc. Muitas vezes, uma nota numa coluna de prestígio repercute mais do que uma reportagem no mesmo veículo.
Colunista – O responsável pela coluna.
Copydesk ou copidesque – Termo importado dos Estados Unidos por Pompeu de Souza durante a reforma do Diário Carioca. Na época poucos repórteres escreviam a matéria. Eles chegavam e ditavam o texto para o editor. Pompeu obrigou-os a escrever. Para transformar o texto incompreensível dos repórteres em algo legível existia uma Mesa de Textos (Copy Desk em inglês) com os melhores redatores do Diário Carioca. O termo incorporou-se à linguagem jornalística como sinônimo de redator. E já não existe quase mais. O repórter hoje e quem revisa seus textos…
Copyright – São os direitos reservados ao autor de uma obra ou a quem comprou os direitos do autor. As fotos também têm seus direitos reservados.
Crédito – Assinatura usada em foto ou para marcar material produzido por agência ou outra publicação.
Crônica – Não há compromisso necessariamente com temas da atualidade, como os artigos de opinião; o estilo é geralmente livre (literário) e isento de regras de estilo jornalístico, o tema é de livre escolha do autor, que assina sua produção.
Cruzar informação – Significa confrontar informação originária de determinada fonte com uma fonte independente. Assim, cruzar com uma fonte significa possuir duas origens para uma informação. Cruzar com duas fontes, três. Qualquer informação de cuja veracidade não se tenha certeza deve ser cruzada.
D
Deadline – Último prazo para que uma edição seja fechada ou que uma reportagem seja concluída. Declaração – Texto ou opinião oficial expressa verbalmente por entrevistado.
Dedo-duro – Referência colocada em uma matéria para remetê-la para outro assunto em página diversa. Também conhecida como Leia mais.
Derrubar a reportagem – Termo usado para expressar que uma reportagem não vai ser publicada. Geralmente ocorre quando o repórter percebe que não vai conseguir apurar as informações, quando uma entrevista é cancelada ou ainda quando o editor desiste de abordar o assunto, ou quando entra um anúncio.
Diagramação – Adequação dos textos, desenhos, gráficos e fotos numa página, de acordo com os padrões visuais da publicação.
E
Editar – Preparar matéria para ser impressa ou emitida, nos padrões do veículo.
Editor – É o jornalista que chefia um grupo de jornalistas que compõem uma Editoria .
Editor-chefe – É o jornalista que chefia a Redação do jornal.
Editoria – Seção especializada em determinado setor (esporte, polícia, arte, meio ambiente etc.)
Editorial – Texto com a opinião da publicação. Não vem assinado e geralmente, localiza-se diariamente na 2ª ou 3ª página do jornal.
Enquete – Pequenas entrevistas para levantar a opinião da comunidade.
Enxugar – Resumir um texto. Cada vez mais as publicações exigem que os textos sejam mais concisos, que não desencoraje a leitura. Às vezes também é preciso enxugar para caber na página diagramada.
Espelho – É a previsão do que vai ser publicado em uma página com a inclusão dos anúncios. Não confundir com diagrama. O espelho é feito pelo departamento comercial da editora conforme a previsão do número de páginas pela redação.
Estouro – Ocorre quando um texto é maior que o espaço reservado. O editor normalmente suprime dos textos as últimas linhas ou últimos parágrafos quando ocorre um estouro.
Expediente – Quadro com os dados gerais da publicação. Consta obrigatoriamente a relação de diretores e editores-chefes e endereços.
F
Fato – Entre um fato e uma declaração prefira o primeiro. Descrever um fato com correção e inteligência exige sensibilidade, informação sobre o assunto e conhecimento do idioma. Veja exatidão; importância da notícia; notícia.
Feature – Gênero jornalístico que vai além do caráter factual e imediato da notícia. Opõe-se a “hard news”, que é o relato objetivo de fatos relevantes para a vida política, econômica e cotidiana. Um “feature” aprofunda o assunto e busca uma dimensão mais atemporal. Define-se pela forma, não pelo assunto tratado. Pode ser um perfil, uma história de interesse humano, uma entrevista.
Fechamento – Etapa do processo de edição em que os trabalhos são encerrados. Depois do fechamento não há mais revisão do texto e a edição é enviada para a gráfica.
Fio – Linha usada para dividir textos ou matérias. Também usada para realçar fotos.
Foca – Jornalista iniciante.
Follow- up – Lembrete ou reforço de pauta, por telefone ou contato pessoal.
Fonte – Pessoa que dá origem a uma informação ao veículo, por iniciativa própria ou por solicitação do jornalista.
Fotografia – Recurso essencial do jornalismo contemporâneo. Uma boa foto pode ser mais expressiva e memorável que uma excelente reportagem. No jornalismo, o valor informativo é mais importante que a qualidade técnica de uma foto. São qualidades essenciais do fotojornalismo o ineditismo, o impacto, a originalidade e a plasticidade.
Foto-jornalismo – A fotografia jornalística fixa um acontecimento e as suas impressões. O fotógrafo é o relator, o documentador visual entre a notícia e o público. A imagem nesse caso é o certificado de presença é a prova ao leitor que o jornal estava presente na notícia.
Foto-legenda – Pequena matéria, de no máximo 20 linhas, usada para explicar ou destacar foto.
Fotolito – Filme gráfico negativo usado para queimar a chapa.
Furo – Matéria jornalística exclusiva de grande repercussão.
G
Ganhar na foto – Diminuir a foto na altura ou largura de maneira a ganhar mais texto. O corte não é proporcional.
Gancho – Pretexto que gera a oportunidade de um trabalho jornalístico. Quanto mais pretextos há para a produção de uma investigação jornalística mais oportuna ela é. Quanto mais “ganchos” estiverem por trás de uma edição mais “quente” ela é. Um fato que se ligue, que dê margem a outro, que sirva de ponte, de gancho, enfim, para a notícia …
I
Iceberg – Texto que começa na primeira página e prossegue em páginas internas.
Ilustração – Desenho ou composição gráfica feita à mão para ilustrar determinadas notícias, crônicas ou charges, na ausência de fotografias.
Indicadores – Lista de dados do mercado financeiro em forma de tabela.
Intertítulo – Pequenos títulos colocados no meio do texto. Esse artifício é usado para tornar o texto menos denso. Há publicações que preferem destacar frases retiradas do texto para colocar nos intertítulos.
Infográfico – Artifício gráfico que envolve imagem e pequenas informações de texto que se complementam.
Informe publicitário – Anúncio pago com aspecto jornalístico ou reprodução paga de artigo ou reportagem.
J
Jabaculê ou jabá – Dinheiro ou presente ao jornalista.
Janela – É quando se coloca uma foto menor dentro de uma foto maior para destacar detalhes. Um exemplo é quando se coloca uma grande foto de um incêndio e no detalhe (janela) aparece uma foto do aparelho que causou o incêndio. Esse recurso está em desuso nas publicações modernas.
Jornalismo analítico/opinativo – Os fatos contemporâneos cada vez mais exigem a análise do noticiário. A análise dá ao leitor a oportunidade de se aprofundar nos eventos, questões ou tendências. A análise do noticiário não deve ser confundida com a opinião ou o comentário, que devem estar circunscritos às colunas e aos artigos.
Jornalismo crítico – O jornal não existe para adoçar a realidade, mas para mostrá-la de um ponto de vista crítico. Mesmo sem opinar, sempre é possível noticiar de forma crítica. Compare fatos, estabeleça analogias, identifique atitudes contraditórias e veicule diferentes versões sobre o mesmo acontecimento.
Jornalismo de serviço – Explora temas que tenham utilidade concreta e imediata para a vida do leitor. O jornalismo de serviço torna o jornal um artigo de primeira necessidade e garante seu lugar no mercado.
Jornalismo especializado – A função do jornal impresso mudou com o crescimento dos meios eletrônicos de comunicação (rádio, TV). O leitor busca no jornal impresso, abordagens mais profundas e informações mais sofisticadas, o que requer do jornalista domínio cada vez maior dos assuntos sobre os quais escreve. Só assim o jornalista pode tornar a informação técnica acessível ao leitor comum.
L
Lead ou Lide – Abertura de matéria tradicional. Precisa responder às seguintes perguntas: Quem, quando, onde, porque e de que maneira.
Legenda – Linha de texto colocada sob a foto. Artifício adicional para destacar o tema da matéria.
Lidão – Texto de até 60 linhas usado em reportagens para coordenar matérias diversas sobre um mesmo tema.
Linha de tempo – Dados dispostos em ordem cronológica com fotos e ilustrações. Podem ser colocados na página vertical ou horizontalmente.
Logotipo – É o nome do jornal com as letras em corpo, forma e desenho escolhido pela empresa jornalística.
M
Macarrão – Palavra usada para designar uma folha solta de papel-jornal, em tamanho padrão, inserida entre as páginas de uma edição. O “macarrão” pode ser previamente programado pelo setor industrial do jornal como pode também ser utilizado para aumentar ou diminuir o número de páginas de uma edição.
Mailing – Listagem de nomes e endereços.
Manchete – É o título principal que indica a notícia mais importante do jornal. Existe a manchete principal do jornal (na primeira página) assim como a manchete de cada caderno, seção ou página. Onde encontrar: a manchete é sempre aquela que vier graficamente com maior destaque, ou que tiver letras mais carregadas na tinta.
Matéria – Texto preparado jornalisticamente.
Matéria de gaveta – Aquela matéria que espera a ocasião oportuna para ser publicada.
Matéria Fria – Matéria que independe de sua atualidade para ser publicada.
Memória – Texto preparado jornalisticamente lembrando antecedentes do fato.
Mídia eletrônica – Rádio, TV e Internet.
Mídia impressa – Jornal e revista.
N
Nariz-de-cera – Introdução vaga, sem necessidade, de uma matéria.
Normas de redação – Conjunto de regras usadas para padronizar a produção de textos, títulos e legendas.
Notícia – Registro dos fatos, de informações de interesse jornalístico, sem comentários. Fatores objetivos determinam a publicação de uma notícia: o caráter inédito; o impacto que exerce sobre as pessoas e sobre sua vida; a curiosidade que desperta; a imprevisibilidade e improbalidade do fato.
Nota oficial – Documento impresso com a opinião de uma determinada fonte.
Nota ou balaio – Texto curto usado em colunas. Pequeno texto referente a um assunto que irá acontecer e responde a três questões básicas para compreensão: que, quem, quando.
Numeralha – Box que destaca dados numéricos em uma matéria determinada.
O
Off – Declaração dada sob compromisso de não revelar a fonte.
Olho – Frase destacada sob o título ou no conjunto da página.
On – Declaração sem impedimento de revelar a fonte.
P
Pauta – É uma ordem de serviço transmitida pelos chefes de reportagem. A pauta normalmente indica a pessoa que deve ser entrevistada, local, horário e até mesmo o tamanho da reportagem que deve ser produzida. A pauta também deve indicar os temas principais que devem ser abordados no texto.
Nos jornais, a pauta é feita através de reuniões de pauta, onde editor, redator-chefe e repórter sugerem pautas para que matérias sejam produzidas.
Pauta furada – Informação falsa.
Pé da matéria – É o final do texto. Todo repórter deve ter em mente que se o texto for reduzido, as últimas linhas serão eliminadas.
Cortar pelo pé significa retirar os últimos parágrafos sem se preocupar com a qualidade da informação contida no texto.
Perguntas e respostas – Matéria disposta sob a forma de um questionário. Serve para explicar aspectos do tema.
Perna – Sinônimo de coluna. “Descer em duas pernas”, matéria em duas colunas.
Personagem – Texto para mostrar quem é o ator principal da matéria.
Pescoção – Trabalhar durante a noite e a madrugada para antecipar material de fim de semana.
Pingue – pongue – Matéria em forma de perguntas e respostas.
Plantar – Publicar informação com outro objetivo que não de informar. Geralmente atende a lobby ou a interesses pessoais.
Povo Fala – Enquete com populares sobre determinado assunto (veja enquete)
Press release – Informação preparada pela assessoria de imprensa e encaminhada aos veículos.
Propaganda – Todo jornal sobrevive graças à propaganda. Inerente aos diferentes cadernos do jornal ou em encartes, ilustrada ou fotografada, ela também constitui um elemento de leitura do nosso cotidiano imprescindível para o leitor se localizar e informar a respeito das ofertas do mercado.
Projeto Gráfico – Padronização usada pela publicação para dispor uniformemente matérias, fotografias e adereços gráficos.
Q
Quadro – Box para explicar determinada informação da matéria
R
Rafe – Aportuguesamento da palavra inglesa rough. É o “boneco” de um projeto gráfico.
Reco – Matéria recomendada pelos superiores.
Redator – Jornalista especializado em rever o texto do repórter e em preparar títulos e legendas. Na nova concepção de jornalismo, o profissional não se especializa mais em uma determinada área da produção de texto e edição.
Release – Matéria preparada por assessoria de Imprensa.
Repercutir – Prosseguir num assunto do próprio jornal ou de outro. Veja suíte.
Reportagem – Matéria com grande centimetragem, cobrindo integralmente determinado assunto.
Retranca – Palavra que identifica um texto. “Samba” pode ser uma retranca que identifica um texto sobre as escolas de samba. O ideal é que a retranca tenha uma só palavra.
S
Seção – Sinônimo de editoria ou coluna de opinião ou nota.
Selo – Recurso gráfico que marca uma reportagem uma série de reportagens. É muito comum seu uso em série de reportagens. Normalmente é composto por uma pequena expressão e um desenho que se repete. Por exemplo: “Crise no INSS” pode ser acompanhado de um desenho de uma maca. Todo texto que se refira ao assunto é acompanhado desse selo.
Serviço – Pequeno texto usado no pé da matéria contendo endereço, página web ou telefone de algo citado na matéria.
Side – Termo usado para designar um outro lado da reportagem. São assuntos paralelos que se publicam nos sides. Um texto sobre um jogo de futebol pode trazer um side com o jogador que teve o melhor desempenho na partida.
Standard – Tamanho padrão dos jornais. Mede 54 x 33,5 cm. O único caso no Brasil de jornal que conseguiu sucesso sem ser standard é o Zero Hora, de Porto Alegre, publicado em tamanho tablóide. O tamanho tablóide é a metade do standard.
Stand by – Textos que podem ser publicados em qualquer época. Também são conhecidos como textos de “gaveta”. Um texto que mostre os planos da empresa IBM para o Brasil, por exemplo, pode ser publicado em qualquer época (claro que sem exagero. Esse texto não pode ser publicado um ano depois de ser escrito, mas pode muito bem ser publicado duas semanas depois de ter sido escrito).
Sub – Matéria coordenada com a principal da página; título informal usado pelo sub-editor.
Sub-lead – Parágrafo colado ao lead da matéria.
Suíte – Do francês suite, isto é, série, sequência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior.Também se usa o verbo suitar no sentido de repercutir.
Suplemento – Caderno adicional ao material principal do jornal.
Sutiã – Pequena linha de texto usada sobre ou logo abaixo do título para destacar informações da matéria. Ver linha fina.
T
Tabela – Gráficos numéricos dispostos ordenadamente.
Tablóide – Formato de jornal igual à metade da página do jornal standard.
Template – Modelo de página, dentro do projeto gráfico, que serve para iniciar o processo de diagramação.
Texto final – É o que vai ser publicado. Com a extinção do cargo do copidesque nos jornais, todo repórter deve ter um texto final. O que ele escreve é o que vai ser publicado.
Tijolinho – Informação contida em roteiros.
Título – Frase usada no alto da matéria para chamar a atenção do leitor (veja manchete).
Toques – Número limite de letras, espaços em branco e sinais ortográficos capazes de caber numa linha de título, legenda, sutiã ou olho.
Tripa – Coluna imprensada por anúncio ou anúncios de grande tamanho.
Trocar figurinha – Trocar informações com colegas do próprio jornal ou de jornais concorrentes.
V
Vazado – Texto claro colocado sobre fundo escuro.
Vazamento – Informação que escapa ao controle da fonte responsável pelo seu sigilo e chega aos meios de comunicação. Às vezes, é do interesse da fonte “vazar” a informação.
Vender a pauta – Sugerir determinado tema ao editor.
Video-release – Release em fita para a tevê.
Revista gráfica
Criada por Oswaldo Miranda, a Gráfica foi publicada no Brasil desde o ano de 1983, mas apresentava caráter internacional. A revista tem origens no suplemento cultural quinzenal O Raposa, que circulou como encarte no jornal Diário do Paraná. No espaço, ilustradores, cartunistas, escritores e poetas expunham suas idéias e divulgavam seus trabalhos com humor e descontração. Quando publica o seu primeiro número, a Grafica surge em forma de catálogo, para documentar trabalhos presentes em amostras.
Miranda buscou a inovação e o padrão internacional tanto na pauta como no projeto gráfico, esse que tem como principio valorizar os trabalhos publicados na revista. O layout, segundo o criador, tem toque de elegância, de forma discreta. Miranda também gosta de brincar com espaços em branco, de “estourar determinada foto”, mas não exagerando.
Sem dúvidas, a revista é uma das principais publicações de design gráfico do Brasil. A capa de cada uma das publicações da Gráfica caracteriza suas edições como pertecentes a uma série e ao mesmo tempo remete a singularidade de cada exemplar. A identificação se dá também pelo nome da revista e como ele é apresentado. O design da revista é marcante no campo brasileiro, pois há uma relação entre elementos textuais e não textuais destacando a organização da tipografia no espaço visual. A personalidade da publicação é construida a partir de uma determinada ordenação tipográfica, juntamente a demais componentes do projeto. O título, a introdução, a fotografia, assim como os créditos, mas também os textos são elementos chaves na estrutura e planejamento.
Entretanto, o design gráfico da revista inicial foi recebendo modificações, ajustes, atualização ao longo do tempo, sem que sua essência e identidade se perdessem, a sensibilidade em relação à tipografia.Além disso, o logotipo da publicação apresenta caráter mutável nos primeiros 28 números, com variações na forma tipográfica, posição no campo gráfico e escala, composto em Garamond, Helvética, Futura ou uma fonte caligráfica traçada pelo próprio designer, entre outras.
No primeiro momento, a estrutura da Gráfica foi definida em duas colunas por página, que, sendo assim, percorre todo o design gráfico da revista.Nos primeiros números, o corpo de texto é composto em Garamond normal, caixa baixa, justificado, espaçamentos entre letras e palavras, entrelinhas, relação entre corpo e comprimento de linha, favorecendo legibilidade e leiturabilidade. Contudo, durante a década de 1990, certamente a partir do número 29, aparece uma interferência na
legibilidade e leiturabilidade, o corpo do texto passa a ser composto todo em Futura light,
caixa alta, justificado, com espaçamento aberto entre letras, equilibrado com os espaços
entre palavras, sem recuo de parágrafos.
Entre o número 49 e 52, há manifestações também de designers, ou seja, na Gráfica
49 o portfólio de David Carson foi apresentado. Nesse número, ilegibilidade, assim como ruídos visuais estão presentes na revista.
O design gráfico editorial da Gráfica passa por transformações ao longo das edições. Mudanças sutis, assim como também evidentes ocorrem, porém de forma gradativa, refletindo o repensar das escolhas em cada novo número, sem deixar desaparecer seu tema visual geral.
Um pouco sobre a diagramação da Void
Aí está as perguntas da outra revista: a Void. Quero agradecer ao pessoal da revista que me respondeu rápido, pois eu precisava do conteúdo para um trabalho.
Valeu pessoal!
1 – O design da Void é elaborado por quem? Qual a formação desse profissional? Além disso, o que esse indivíduo pensa da atividade hoje e quais são as exigências do mercado?
O design da Void é elaborado por Rafael Chaves e Lucas Corrêa, ambos formados em Publicidade e Propaganda pela Famecos, e ambos estudantes fervorosos de Design Gráfico e Tipografia. Eles não têm um pensamento em comum sobre a atividade de design, exceto que ela se desfragmentou e que essa mesma desfragmentação torna impossível dizer quais as exigências do mercado atual.
2- A Void tem uma pré-diagramação estabelecida como, por exemplo, as revistas Veja, Época e Istoé, que têm uma diagramação em módulos?
Sim, a Void conta com um projeto gráfico definido, baseado em uma grade estrutural (grid) que norteia a maior parte das seções da revista.
3 – O design da Void já foi modificado alguma vez?
Atualmente a Void está em seu quarto projeto gráfico. Em cada projeto a estética da revista é alterada através de atualizações tipográficas e do grid.
4 – Se sim, de quanto em quanto tempo é realizada essa mudança?
Não existe um período de tempo definido, já que teve projetos gráficos que duraram meses e outros que duraram 2 anos. Mas pode-se dizer que a média é de uma vez por ano.
5 – O que a Void prioriza em seu design?
Esteticamente, algo atual e com conceito diferenciado/próprio, mas que não caia no hype comum. Existe uma espécie de alma do design que permanece intocada mesmo quando mudamos os projetos gráficos.
Funcionalmente, um trabalho tipográfico coerente, uma boa navegação e uma leitura rápida prazerosa e divertida.
Um pouco sobre a diagramação da Placar
Quando realizei um trabalho sobre design de revistas, mandei um e-mail para diversas, de todos os segmentos. Duas me responderam, sendo uma delas, a Placar. Algumas das perguntas então:
1 – O design da Placar é elaborado por quem?
O projeto gráfico da revista Placar foi desenvolvido pelo diretor de arte Rodrigo Maroja e por sua equipe.
No dia-a-dia, os designers são os responsáveis por desenvolver o layout das páginas sob a orientação do diretor de arte.
Qual a formação desse profissional?
Geralmente os designers são formados em Desenho Industrial, com ênfase em Programação Visual.
Além disso, o que esse indivíduo pensa da atividade hoje e quais são as exigências do mercado?
A atividade do design está presente em muitos aspectos da vida em sociedade. Desde a sinalização dos centros urbanos e de ambientes públicos e privados,
passando pelo design de embalagens, de produtos, de identidade visual, de anúncios e publicidade, de pontos de venda, editorial, etc. Falando apenas do design editorial, o mercado exige um profissional capaz de orientar a produção de fotos, de ilustrações, assim como de executar layouts que sejam coerentes do ponto de vista da comunicação da informação. Além de conhecimentos do campo do design, como composição, cor, tipografia e técnicos, como softwares.
2- A Placar tem uma pré-diagramação estabelecida como, por exemplo, as revistas Veja, Época e Istoé, que têm uma diagramação em módulos?
O projeto gráfico da revista estabelece uma colunagem e um grid sobre o qual as páginas são desenhadas. Além de ter uma tipografia definida através de estilos.
3 – O design da Placar já foi modificado alguma vez?
O design da Placar já foi modificado inúmeras vezes, até porque a revista tem 39 anos de vida.
4 – Se sim, de quanto em quanto tempo é realizada essa mudança?
Não há uma regra para a mudança de um projeto gráfico. Hoje, a prática mais eficiente é ter um projeto muito bem construído, que possa ser ajustado conforme haja a necessidade editorial de uma mudança. De preferência, mudanças pontuais que não mudem radicalmente o projeto, para que não se torne um problema para o leitor acostumado com o produto.
5- A revista considera o design como uma das principais áreas para a consolidação no mercado?
O design é importante para que a comunicação visual do conteúdo seja a mais eficiente possível, além de ser uma ferramenta de consolidação da imagem da revista.
Sandra Hadich
Atendimento ao Leitor
Revista Placar
www.placar.com.br
Amélia – A mulher de verdade
Era uma típica tarde fria, do final de agosto de 1928, em que as árvores se balançavam conforme o vento gelado que corria entre as casas da pacata Palmeira das Missões. Maria da Luz Cunha Machado abria suas pernas com força e gemia de dor, enquanto os finos pingos de chuva caiam sobre o telhado de uma casa simples, com tábuas de madeiras, que rangiam com os passos do ansioso Diocleciano Machado. Naquele instante, a mulher suava com um esforço incalculável e o homem preparava-se para a quarta surpresa do casal.
Depois de algumas horas de agonia, nascia um bebê de feições delicadas, com mãos pequeninas, mas com bulitas azuis que dariam o que falar no futuro. Amélia Cunha Machado, que se tornaria a famosa Amelinha, não realizaria festas de aniversário nos próximos dias de 29 de agosto, porque sua família era pobre, de origem humilde e não se importava com datas comemorativas. Diocleciano ganhava pouco com os sapatos que costurava para embalar as noites das senhoritas, filhas de políticos da região, e Maria da Luz se acostumara com a rotina serena de cuidar do lar e das filhas.
Amelinha passou a infância em uma casa grande, com três quartos, mas com poucos móveis. Apenas o que era necessário fazia parte da mobília dos oito irmãos: camas com colchões já desgastados pelo tempo, uma mesa para fazer as refeições e o fogão para realizá-las. A geladeira era símbolo de riqueza e nunca esteve nos planos da grande família. A criança, como moradora de uma área rural, brincava com os terneiros, mas não podia dar nome aos bois (ou as vacas) como as outras crianças faziam com as mimosas, pois o pai sempre negociava os animais. A solução encontrada pela menina era brincar com as bonecas velhas de pano, que as irmãs já haviam tirado os olhos de vidro e descosturado os vestidos. Ela nunca se importou muito com a aparência dos brinquedos usados, mas gostava de se divertir sozinha.
Amelinha conheceu tarde os ensinamentos de uma professora, aos nove anos. O pai e a mãe, como não tiveram acesso a educação, não se importavam com o futuro intelectual da filha, afinal, na época, as jovens deveriam apenas arrumar um moço educado e rico para se casar. Entretanto, em muitas manhãs, quando criança, ela fazia birra para ir a escola e o pai acabava por pegar a cinta para corrigí-la, mas parava no olhar cheio de lágrimas da filha. Amelinha, sem incentivo, deixou de lado as contas matemáticas e também as tarefas de gramática aos quinze anos para trabalhar em seu primeiro emprego, em uma coletoria, em que ela fazia guias de transporte. Uma parte do seu salário, ela cedia a família e com a outra conheceu as coisas boas da vida.
Os bailes tornaram-se rotina na vida de Amelinha. Jovem e bela, pequena e de seios fartos, a moça se habituou a comprar sapatos de todos os modelos e vestidos de todas as cores para contemplar os salões cheios de energia da noite de Palmeira das Missões. Nos encontros, os seus pés delicados encostavam suavemente o chão para dançar o tango e o bolero, e suas mãos tocavam as costas de jovens meninos. Foi em uma das belas festas, que conheceu seu primeiro namorado, Itibere Curtis, um rapagão alto, moreno e forte.
Paralelamente, Amelinha também gostava de ir as matinês, mas também se acostumou a freqüentar jogos de futebol que aconteciam nas manhãs ensolaradas da região. Torcedora do Palmeirense, ela se decepcionou em uma das partidas em que o co-irmão do time, Ouro Verde, aplicou uma goleada de onze a zero em seu amado clube. Naquela partida, Amelinha acompanhou outras dez meninas, que realizaram uma apresentação para homenagear o Palmeirense. Contudo, não só o futebol animava os finais de semana da jovem, ela também viajava a Iraí, cidadezinha onde conheceu o belo e loiro Fritz, um namorado que lhe ficaria nos pensamentos por muito tempo.
Amélia quando voltava da cidade não deixava de trabalhar, pois a quantia que ganhava na época, permitia sua diversão e também a felicidades das amigas. Enquanto deixava sua situação se enrolar com o namorado Itibere, observava a felicidade instantânea das amigas que se casavam. As festas de união tornaram-se freqüentes na vida de Amelinha, apesar de Itibere pedir a sua mão, a menina, que estava vivenciando uma mocidade incrível, desejava percorrer outros caminhos, conhecer novas pessoas. Amelinha era realmente livre em uma época em que moças com pouca idade transformavam-se em senhoras do lar rapidamente.
Em decorrências das transformações sociais, Amélia aceitou se desprender do primeiro emprego e partir para uma mudança: trabalhar em uma ourivesaria, como se chamava, antigamente, as joalherias. Anéis, brilhantes e muito ouro faziam parte da vida não da jovem, que sonhava com os acessórios para completar as belas vestimentas, mas sim das senhoritas, filhas de políticos e fazendeiros, que utilizavam as peças para atrair a atenção dos rapazes em noites de festa. Amelinha tinha uma função bem simples na ourivesaria, da qual não precisava conhecer os conteúdos do colegial que perdeu. Amelinha varria a calçada da loja, varria o chão da loja, local por onde passava os calçados que seu pai fazia. Amelinha, bela e doce, passava as tardes limpando as bitucas de cigarro, que mulheres altas e charmosas, com seus chapéus, largavam lentamente.
Certa vez, passando pela única rua em que havia uma grande ourivesaria, Itibere avistou Amelinha, triste, desperdiçando uma beleza imensurável ao limpar as sujeiras da loja. Amelinha sabia que não havia nascido para aquilo e Itibere também, ao passo que, o jovem, recorreu aos poderes do pai para colocar a menina na prefeitura. Depois de pouco tempo, Amelinha era vista com lindas blusas, que acomodavam perfeitamente seus belos seios, com saias que delineava suas pequenas pernas e com sapatos que lhe davam superioridade, pois altura ela não tinha. Amelinha poderia ser vista com roupas de classe, não com roupas de quem varria as ruas. Apesar de Itibere ter ajudado Amelinha a conquistar um espaço melhor na sociedade, o menino não se contentava em somente namorar ela. Durante as festas, surpreendido com as jovens que chegavam de outras pequenas cidades, Itibere convidava as damas para dançar. Amelinha não se contentava em esperar e também ensaiava passos com aqueles que vinham de fora, os forasteiros. Itibere como numa resposta rápida, também não deixava as outras meninas saírem sem lhe ter rendido boas danças. Era um momento em que, os dois, apaixonados negavam-se, uma porque Itibere era homem e necessitava saciar seus desejos, outra porque Amelinha não aceitou seu pedido de casamento, apesar dele ter ido à casa da jovem e ter vivenciado momentos belos.
Itibere não somente conheceu os pés de outras jovens forasteiras. Cansado de esperar por Amelinha, ele decidiu casar com alguma menina que lhe tenha feito feliz por algum momento e em alguma daquelas danças. Depois de três meses, Amelinha teve de ser esquecida pelo menino. Contudo, sete dias antes da comemoração, Itibere insistiu a jovem para que fosse embora com ele, que largasse tudo e que vivenciasse a felicidade. Amelinha preferiu não arriscar, ela era apenas uma jovem. Triste, também não superou o sentimento de ver o companheiro de tantos tangos, de tantas risadas e de tantos beijos se unir a outra, que não fosse ela. Amelinha decidiu ir para Porto Alegre.
O caminho para Porto Alegre, ela conhecia muito bem. Quando pegou o trem para a capital não ficou ansiosa, não ficou triste e não ficou com curiosidade para conhecer novos lugares. Amelinha já havia descoberto a cidade outras vezes, quando o salário na coletoria lhe rendeu boas viagens e bons namorados. Com 28 anos, ela esquecida a saudade de Itibere e de Fritz (porque ele também estava em seus pensamentos) e só lembrava dos pais que deixou para trás, assim como das irmãs. Ela não teria mais aquelas amigas para cantar após as festas: “Ai ai ai está chegando a hora, o dia já vem, clareando meu bem e eu tenho que ir embora”. Amelinha, naquele momento, após chegar em Porto Alegre, deveria saber primeiramente onde ficava a prefeitura, pois o emprego, que havia conquistado com o empurrãozinho de Itibere, não havia deixado para trás.
Cândida, uma de tantas primas de Amelinha, é quem lhe esperava. A casa simples e também com poucos móveis da familiar estava de portas abertas para a jovem. Bela, Amélia não demorou muito para conquistar amigos e olhares de homens ricos, vizinhos e desconhecidos por onde passava. Na prefeitura, lugar em que era secretária, não deixou de conhecer Rafael Anele, um rapaz charmoso e que desempenhava a função de arquiteto.
A vida na capital para Amelinha era diferente daquela de Palmeira das Missões. À beira dos trinta anos, as festas, os bailes, assim como os jantares foram esquecidos. Com o dinheiro ela ajudava a prima a manter o lar, mas também comprava suas roupas e maquiagens. Seus sapatos combinavam com o taier e o seu cabelo era feito quase toda a semana, como em um ritual. Ora Amelinha aparecia morena, ora aparecia loira. Era uma mulher em constante metamorfose. Essas mudanças, atreladas a um charme incomparável chamaram a atenção do seu chefe: Newton Gualdi, um homem que não servia para feio e que era muitíssimo educado. Contudo, aparentemente, um problema foi imposto no futuro relacionamento: Newton já havia conquistado uma mulher antes e era com ela que mantinha uma relação amorosa. Aparentemente, pois os dois não se importaram
Newton se encantou por Amélia e Amélia se encantou por Newton. Com seu taier rosa, sua meia branca como uma nuvem e seus sapatos de salto alto, Amélia saía da prefeitura de braços cruzados com Newton, ignorando que Marília poderia surgir a qualquer momento, afinal é comum a esposa buscar o marido no trabalho. O risco permitia ao casal sentir tesão, e era disso que eles gostavam. Freqüentemente, os dois iam a restaurantes e a situação passou a melhorar quando Amelinha se viu cheia da prima Cândida, que apenas cobrava dinheiro. A secretária, que ganhava no mínimo uma quantia suficiente para cobrir despesas e gastos desnecessários com a vaidade extrema, resolveu encontrar algo que pudesse realmente chamar de lar.
Dessa vez, a secretária preferiu morar sozinha, em um apartamento aconchegante na Avenida Iguaçu, na Zona Norte de Porto Alegre. Coincidentemente, o pequeno prédio ficava perto da residência de Newton. A distância curta facilitava a volta do trabalho e também os encontros íntimos do casal. Durante um longo período, Marília também não desconfiou das chegadas na calada da noite do marido e também das desculpas por ele apresentadas, pois realmente parecia cansado.
Sete anos demoraram para que nascesse Lúcia Maria, a filha de Amelinha e Newton. Como naquele tempo não havia o hábito de utilizar contraceptivos e também não era normal mulheres se entregarem a um homem que não fosse seu marido, a tragédia aconteceu relativamente tarde. Quando Amelinha percebeu que a menstruação havia atrasado, esperou um certo período para criar coragem e contar ao companheiro o ocorrido. As transformações no corpo iriam surgiu, por isso decidiu abrir seu coração, afinal a tortura de manter-se calada estava fazendo a angústia tomar-lhe o corpo.
O momento em que Amelinha fez as revelações não foi nada feliz. Um casal normal comemoraria a chegada de um bebê, mas com Newton não poderia ser assim, e Amelinha sabia disso. Os sete anos do casal teria sido repletos de felicidades, afinal ele se desprendeu de um lar conturbado e ela não se importava em apenas levar a vida, do jeito que fosse. Amelinha adorava ser solteira, adorava curtir ao máximo os momentos, adorava namorar sem compromissos e sem responsabilidades, mas aquele foi um momento em que a maior das responsabilidades havia se tornado verdade. Newton ríspido aceitou a paternidade, mas com uma única condição: apenas registrar a criança, o resto seria feito pelas mãos de Amélia. Ela concordou, não haveria nada para fazer naquele momento, não haveria o que cobrar e nem de quem cobrar, ele era tão culpado quanto ela, mas ela estava sozinha e ele sempre voltava a um lar, com uma esposa atenciosa para escutar seus problemas e para lhe cuidar.
Durante o período da gravidez, Newton se preocupou com o futuro da criança que carregaria seu sobrenome. Atencioso com a gestação, ele indicou o doutor Papir para cuidar de Amelinha. A secretária seguiu todos os conselhos e parou de trabalhar um pouco antes do grande momento. Lúcia Maria Machado Gualdi veio ao mundo em 25 de dezembro de 1963, dia em que todos comemoravam o nascimento do menino Jesus e que Amelinha comemorava o nascimento de sua primeira filha, que teria cuidar durante um bom tempo.
Logo depois de um pequeno período Amelinha voltou à prefeitura, com um charme que só ela apresentava entre as colegas, mesmo depois de grávida. No entanto, conciliar as tarefas do serviço e os deveres de mãe eram difíceis para a secretária. As babás que ela havia arrumado para cuidar da pequena Lúcia aproveitavam que a criança não reclamava dos lanches que sumiam e dos doces que eram comidos. E também se ela ao menos falasse, Amelinha não daria ouvidos, pois chegava cansada da função que consumia com suas pernas e ouvidos.
Os encontros com Newton não deixavam de acontecer, mesmo depois do nascimento da criança e mesmo depois dele não assumir outras responsabilidades com a pequena Lúcia, as quais não fossem o sobrenome. Amélia, com o salário que ganhava na prefeitura, também realizando o papel de pai, dedicou a menina crechês e depois escolas, além de vestimentas, alimentação e saúde, mas isso não era o suficiente para Lúcia, que desejava uma figura masculina ao seu lado para lhe dar atenção, conselhos. A casa era triste, principalmente para a criança, que depois de certa idade, passou a ficar sozinha e adotar algumas tarefas domésticas.
Amélia passou a rodar a cidade de Porto Alegre em busca de novos imóveis para alugar, afinal fora despejada do último. Apartamentos de um quarto apenas eram os mais procurados, pois Lúcia não haveria de ter um espaço para ela. Foi no bairro Cristal que escolheu: pequeno e no segundo andar. Newton não acompanhou as mudanças, mas visitava freqüentemente aquela que era mãe de sua filha. Lúcia já sabia o que fazer sempre que ele chegava. Ela corria para a sala, ligava a tv e colocava o volume no máximo que lhe era permitido. Newton apenas dizia um oi a menina, sem muito interesse, e caminhava em direção ao quarto, trancando a porta rapidamente.
Essa situação ocorreu por muito tempo, até que as visitas foram diminuindo. Afinal, Newton estava velho e era diabético e, além disso, tinha uma esposa no lar, que o câncer consumia. Não era mais um romance entre os dois, belo e sem distância, já que levar uma dupla vida para Newton seria difícil, pois ele morava na Zona Norte e Amelinha, praticamente, na Zona Sul. Quem não notou a ausência dele foi Lúcia, que se dedicava aos ensinamentos da faculdade de história.
O tempo passou e Amélia aposentada necessitou de uma nova mudança, dessa vez preferiu morar na Cidade Baixa, num edifício localizado na Baronesa da Gravataí. Nessa época, a filha Lúcia acabou por se relacionar com um jovem aparentemente rico. O namoro dos dois resultou no nascimento de Bárbara Gualdi Rodrigues, que só havia recebido tardiamente o último sobrenome, porque Lúcia muito insistiu a Eduardo que assumisse a paternidade. Amélia acatou a idéia de que Bárbara deveria ficar ali, entre as duas. Para contribuir com as despesas da casa, Lúcia abandonou as mitologias, as filosofias e sociologias que aprendia na sala de aula, para vender negrinhos e branquinhos nos bares. Certo dia, Lúcia acabou por encontrar o amor da vida, em um bar de paredes rabiscadas, em que o público, na sua maioria, era formado por fumantes e jovens que gostavam de deixar o cabelo crescer. O amor de Lúcia se chamava José Arlindo Laux e com ele, ela decidiu morar após sete dias do primeiro beijo. Lúcia arriscou tudo pelo amor, ao contrário de sua mãe, que não tivera a coragem de encontrar a felicidade com Itibere. Depois de algum tempo, mãe e filha decidiram que Bárbara deveria ficar com a avó.
Servindo de companhia, Bárbara cresceu ao lado de Amelinha. Algumas vezes ela também pode presenciar a companhia do avô, durante poucos minutos, em visitas quase raras. Bárbara recebia sempre de Newton algumas moedas para comprar doces nos dias em que ele aparecia. No restante, a neta ganhava o auxílio da avó para realizar os temas da crechê e depois para solucionar problemas matemáticos no jardim de infância. Não que elas não brigassem, mas conviviam muito bem, se amavam.
Sete anos demoraram para que Amelinha recebesse outra neta. Dessa vez, Lúcia acolheu a filha junto ao marido. O nome Morgana foi escolha dos ensinamentos de história, que ela aprendeu depois de dar continuidade a faculdade. Para recuperar todos os anos perdidos, Lúcia deixava Morgana aos cuidados de Amélia, que adorava brincar com a criança, assim como contar as histórias de seus bailes e de seus namorados.
Amélia viu as duas netas crescerem. Como avó, ela cumpriu todas suas responsabilidades e auxiliou na formação das crianças. Ela ajudou Bárbara com seus conselhos sobre namorados, algo que não havia recebido na sua juventude. Ela agradou Morgana com presentes, mas também com diálogos que proporcionavam alegria as duas. Amélia havia se transformado numa senhora, mas uma senhora com uma família grande. Perto dela, em Porto Alegre, seus pais e suas irmãs não estavam, mas Lúcia, Arlindo, Bárbara e Morgana fizeram a esquecer da ausência de Newton.
Hoje, para Amélia, restam apenas lembranças. Enquanto ela recorda inúmeras vezes os bailes em que dançou e que também namorou, as netas escutam com atenção a fala da avó, que menciona detalhes de uma vida corajosa em tempos conservadores. Entretanto, não importa, Amélia nunca esquecerá das coisas boas da vida, mesmo que seu amor lhe tenha esquecido e atualmente esteja vivendo ao lado da mulher. Talvez tenha sido melhor assim, Amélia nunca suportaria cuidar de um homem. A liberdade importava para ela e ainda lhe importa. O único sentimento que ela trás a tona é a solidão, que sente quando contempla as músicas de sua mocidade, e que mocidade.
** Amélia Cunha Machado, 81 anos, é minha avó. É a ela quem eu devo muitos dos fatores que enriqueceram minha personalidade. Suas histórias fantásticas me auxiliaram a compreender um mundo que eu não vivi, mas que me foi importante para saber sobre minhas origens. Independente de seus defeitos, ela soube aproveitar momentos incríveis e soube também viver um amor impossível, mesmo suportando a tensão, a tristeza e a solidão. Eu a admiro e por isso dedico esse trabalho a ela.
Piratinha retornou
Depois de vivenciar inúmeras dificuldades, meu gatinho retornou para casa. Foram feitos diversos exames que constataram que ele estava com pedra nos rins, pedra na bexiga e pedra na vesícula. Tristemente, só descobrimos essa situação após ele mostrar um comportamento diferente, ou seja, ele foi agressivo com toda a família, mostrava as unhas e se comportava como um felino, selvagem.
Tentei encontrar, antes de tudo, um site que pudesse explicar as reações dele, porém não encontrei, por isso, é extremamente necessário levar o bichinho ao veterinário.
Agora o Piratinha está em casa. Ele vai passar por alguns procedimentos, porém, tenho certeza que vai melhorar.




