As novas regras do português
Entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro será alterado com as novas regras, mas há quem diga que esse pequeno percentual acarretará em grandes mudanças. Para um pequeno, que está iniciando os seus estudos, é fácil compreender, porém para aqueles que já passaram por outras modificações, será um tanto difícil.
Assim como eu, muitos encontrarão obstáculos para duplicar um segundo elemento quando ele começa por s ou r, ou seja, nada de anti-religioso, o certo será antirreligioso. Feio,né? Ainda tem antissemita, infrassom e por aí vai.
Entretanto, somente isso não basta para unir aqueles que utilizam o português como língua. O hífen também não será usado quando o prefixo de uma palavra termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Logo, teremos que escrever extraescolar, por exemplo. E trema também deixará de existir, embora só será colocado em nomes próprios. Vamos precisar de um outro corretor, certo?
Os acentos diferenciais também deixarão de existir e, conseqüentemente, o pára, flexão do verbo parar, e o para, preposição, terão que se diferenciar pelo contexto da frase. Contudo, ainda não basta: o brasileiro poderá desfrutar o “k”, o “w’ e o “y”. O alfabeto terá 26 letras (acredito eu, a única inclusão).
E para terminar (ufa!), o acento circunflexo, aquele que colocamos em vêem, lêem, dêem, será ignorado na nova escrita desses vocábulos. O enjôo também passará a ser enjoo, assim como o vôo será voo. As palavras terminadas em hiato “oo” não terão mais esse recurso.
Mas a nossa assembléia também não terá mais acento, assim como ideia (apesar de eu lutar contra o corretor do computador!). Além disso, a feiura não terá mais acento. E fica realmente uma feiúra escrever essa palavra paroxítona, com “u” tônico, precedido de ditongo, sem acento!
E se você ainda acredita que os portugueses não irão sofrer, bem para eles restou o desaparecimento do “c” e do “p” de palavras em que não são pronunciadas. O óptimo ficará ótimo!
O Gosto da Guerra
Pequenos trechos de “O Gosto da Guerra” de Jose Hamilton Ribeiro ( Editora Objetiva), lidos em voz alta por um professor, foram capazes de prender a minha atenção em meio à euforia estabelecida antes do horário de almoço.
O livro “O Gosto da Guerra” é a história comovente e repleta de emoções e sentimentos colocados no papel, por um jornalista, ou seja, por um profissional que, simplesmente, foi cobrir a Guerra do Vietnã, mas acabou sendo marcado por ela. Hamilton não estava em um local errado, em um horário errado, apenas demonstrou ser o portador de uma grande quantidade de azar, pois no chão em que ele pisou, antes algumas pessoas pisaram, porém foi justamente com ele que uma mina explodiu.
Os relatos da obra são detalhados, parece ser simultaneamente um diário, permanecendo uma visão pessoal da guerra, mas também um trabalho jornalístico, imensamente influenciado pelo acidente que o jornalista vivenciou. O “jogo da mulher amada”, por exemplo, citado por Hamilton, faz o leitor compreender um pouco mais sobre a vida de um soldado americano. O autor também faz um comentário extenso sobre as mulheres vietnamitas e como é importante o papel delas na sociedade. Logo, é colocado em pauta o panorama total de uma guerra, os dois lados, os feridos, os principais personagens.
“O Gosto da Guerra” é puro jornalismo de guerra. Traz parágrafos cruéis e frases emocionantes, escritos por quem somente poderia escrevê-los: Jose Hamilton Ribeiro, após um acidente que lhe custou uma parte do corpo, mas também lhe rendeu uma ótima obra.
Alguns trechos do livro:
“…Escolhida a mulher, e colada num bom lugar – de preferência na cabeceira da cama, ou na valise da cama -, o GI a divide em tantos pedacinhos quantos são os dias que ainda tem de agüentar na guerra. Trezentos e cinco pedacinhos, se começa no início, ou cem, se acompanha a maioria..”
“…Olhei-me de novo: abaixo do joelho, na perna esquerda. Só havia tiras de pele, banhadas de sangue, que repuxavam e se arregaçavam,fora do meu controle…”