Grêmio e a Libertadores
O Grêmio já está ciente da data de seus jogos na Libertadores 2009. O técnico Celso Roth terá que conciliar o Gauchão com a Copa mais visada da América.
Lá vão as datas:
25/02 – quarta-feira – 21h50min – Grêmio x Vencedor Chave 6 (Universidad de Chile x México 3)
11/03 – quarta-feira – 21h50min – Boyacá Chicó (COL) x Grêmio
25/03 – quarta-feira – 21h50min – Aurora (BOL) x Grêmio
07/04 – terça-feira – 19h – Grêmio x Aurora (BOL)
15/04 – quarta-feira – Vencedor Chave 6 x Grêmio*
22/04 – quarta-feira – 18h – Grêmio x Boyacá Chicó (COL)
*horário indefinido
Boa sorte ao clube gaúcho!
Amor..
E não há texto que eu possa buscar inspiração, não há em nenhuma página a tradução do que realmente é esse sentimento: o amor. A vida real é quem ensina as pessoas a seguirem sua própria trajetória, mas tudo se baseia em um beijo, um carinho, um afeto. E quando as coisas não vão bem, todos sentem. É o amor que nos leva a tudo em nossa existência. Na infância é apenas um beijo inocente, na adolescência é a primeira namorada ou namorado e na idade adulta, procuramos alguém para estabelecer fortes laços. E quem nunca virou poeta? Quem nunca cantou uma música a amada? E quem nunca fez uma tatuagem para homenageá-la? E quem nunca também brigou e quis jogar tudo para o alto? Porém, se o sentimento resistir é sinal de que sempre existiu amor, verdadeiro…
Natal, solidariedade, sorrisos..
E tudo se tornou triste, sem magia, sem amor, sem sentimentos. A emoção e a solidariedade perderam espaço frente ao consumismo, as festas foram estabelecidas somente como um pretexto para se encontrar e trocar presentes. Eu ainda não vejo sentido no Natal. O dia é o mesmo, as pessoas são as mesmas. Elas não mudam completamente, apenas alteram o seu comportamento por um dia. E eu também irei alterar o meu.
Sempre escrevi os meus textos com a idéia de que outros indivíduos pudessem refletir sobre as questões que coloco em pauta. Critiquei o dia das mães, coloquei informações sobre a poluição e indiquei lugares capazes de transformar o cotidiano de alguém. E não ia ser diferente com o Natal. Nem o Papai-Noel vai se safar dessa.
Diga-me qual é o sentido. Solidariedade? Enquanto muitos indivíduos passam fome mediante a seca no Nordeste, as pessoas ajudam aqueles de Santa Catarina. Todos se mobilizam para ajudar. Há solidariedade, mas há também uma questão de preconceito. É visível. Além disso, campanhas e campanhas são realizadas, mas e a fome, a aids e falta de água potável para muitos? E o Amor? Muitos se unem com sorrisos falsos, sentimentos de rejeição para apenas cumprirem uma etapa do ano.
Se houve algum dia esse tal espírito natalino, desculpe-me mas não precisamos de uma data para sermos mais bons de coração com o outro, não precisamos estampar sorrisos ainda mais falsos numa comemoração, já que dedicamos muitos beijos amargos e abraços moles no dia-a-dia.
Não precisamos trocar presentes, podíamos ser um pouco mais autênticos. E se todos fossem talvez seríamos mais alegres, felizes, sorridentes e quem sabe, até mesmo, daríamos uma ajudinha para todos aqueles que realmente precisam.
Vida de goleiro
Essa é uma pequena parte do trabalho que realizei para a faculdade. A pauta era vida de goleiro, vida de centrovante. Me concentrei na primeira posição. O resultado foi bem interessante…
O futebol, sem dúvidas, é o esporte mais praticado pelos brasileiros e pelo mundo todo. Segundo historiadores, ele apareceu dois mil e quinhentos anos antes de Cristo. O chinês Huang-ti foi o responsável pela invenção do jogo, uma vez que desejava treinar seus soldados para as guerras.
Entretanto, a referência mais marcante em relação as origens do esporte encontra-se no período da Idade Média, respectivamente em Florença. Denominado Gioco Del cálcio, o futebol era praticado por aristocratas, ou seja, duas facções políticas acertavam suas rixas por meio de jogos de bola no Piazza Santa Croce.As equipes eram compostas cada uma por 27 jogadores. Naquela época já eram estabelecidas regras bem definidas, o que possibilitou dizer que o cálcio representava um estágio mais avançado do futebol em relação ao que se praticava antes, nas ruas da Inglaterra.
No cenário britânico, o futebol adquiriu todas as regras da rígida educação instalada no país, pois foi incorporado aos esportes escolares de toda a Inglaterra. A primeira equipe surgiu em 1855, denominada Sheffiel.No mesmo ano, o esporte tornou-se profissional. E, sendo assim, demorou pouco tempo para se espalhar pelo resto do mundo.
Charles Miller, paulista, filho de ingleses, foi o responsável por disseminar a cultura futebolística pelo Brasil e tudo que precisou para demonstrar aos brasileiros, o que seria tardiamente a paixão nacional, foi apenas uma bola. Ele, acompanhado de Oscar Foz, organizaram clubes e partidas. O Fluminense, por exemplo, foi fundado por Oscar Fox em 1902.
Portanto, surgiram evoluções não somente em relação as vestimentas, mas também quanto ao modo de jogar. Se antes era obrigatórios o uso da gravata e o uso dos calções logo abaixo do joelho, hoje essas características não iriam se adequar ao esporte. Embora alguns aspectos não tenham se alterado: a paixão pelo time e a sede por gols. Todo torcedor deseja, então, uma vitória para o seu time.
Surge então a pressão sobre dois jogadores respectivamente: o goleiro e o centroavante. O guarda redes, como também é conhecido o goleiro, é responsável por defender os chutes dos centroavantes, ou seja, evitando que o time adversário conquiste pontos.
No Brasil, as duas posições ganham destaque e também são expostas no cenário mundial por parte de goleiros como Dida (Milan), Marcos (Palmeiras), Rogério Ceni (São Paulo), Victor (Grêmio) e Felipe (Corinthians). Os centroavantes ficam por conta de Alex Mineiro (Palmeiras), Kleber Pereira (Santos), Nilmar (Internacional) e Washington (Fluminense).
A importância do goleiro e o seu reconhecimento
Apesar dos goleiros apresentarem uma função tão exigente, afinal não é fácil suportar a pressão por parte dos centroavantes, mas também por parte de torcedores, a posição é umas das que menos recebe reconhecimento, isso porque o salário de goleiro costuma ser o menor de toda a escalação.
No ranking mundial de jogadores melhores pagos pelo mundo, entre as dez colocações, não consta nenhum goleiro. O primeiro lugar é de David Beckham, atleta do Los Angeles Galaxy, recebendo por ano 82,5 milhões de reais, seguido por Ronaldinho do Barcelona com seus 64, 1 milhões e por Leonel Messi, também do Barcelona, ganhando a quantia de 61,1 milhões.
Além disso, em relação ao prêmio concedido pela FIFA aos melhores jogadores do mundo, os goleiros são aqueles que menos aparecem. Somente em 2002, a posição ganhou destaque no quadro mundial com Oliver Kahn, que, infelizmente, ainda ficou em segundo lugar no ano.
Victor, goleiro titular do Grêmio, não se incomoda com a visão do torcedor e da imprensa, afinal os dois aplaudem mais atletas que fazem jogadas de efeito e por isso acredita que o jogador melhor pago seja sempre o atacante.. Entretanto, destaca a importância da posição para o clube: “O trabalho do goleiro é fundamental dentro de qualquer equipe porque a conquista de resultados não depende só do jogador de frente e também de uma defesa consistente, mas também de um goleiro que passe segurança pra equipe.”
Além disso, o atleta questionou como a posição poderia receber mais destaque. “Eu acho que deveria ter uma premiação específica para o goleiro, porque a própria evolução da posição é evidente nos últimos anos. Então deveria se criar uma premiação para que o goleiro pudesse se sentir mais prestigiado do que já é”.
Marcelo Grohe, também goleiro do Grêmio, porém reserva, acredita o goleiro em si está ganhando espaço, ainda mais quando se trata do cenário mundial. “Daqui a um pouquinho já vão ter indicações para goleiro. O principal era abrir portas quando se fala de Europa. E os nossos goleiros já estão jogando em times grandes lá. É só pensar no Doni que atua na Roma, por exemplo”.
Contudo, não basta apenas planejar uma ascensão na carreira, os goleiros devem atuar em campo visando uma estabilidade, já que a posição é tão cobrada por todos. Clémer, atual reserva do Sport Clube Internacional, já foi uma liderança tanto nos gramados, como no vestiário. O atleta após uma série de falhas, foi para o banco, porém continua referência para o torcedor como um símbolo histórico das conquistas da Libertadores e do Mundial. Entretanto, quando substituído por Lauro, Clemer comentou a seguinte colocação: “Alguém tinha que pagar a conta”. Menção de que a posição, apesar de enaltecida em alguns momentos, sofre com a responsabilidade de ser primordial na questão dos gols dos adversários.
A relação mídia e violência no caso do seqüestro e da morte de Eloá Pimentel
O que marcou mesmo essse ano foi a morte da jovem, o desfecho trágico de uma situação em que profissionais são mal preparados e não recebem verbas o suficiente para cumprirem o seu papel. Além disso, houve a presença de uma imprensa sensacionalista, que visou o exagero. O meu artigo cientifico, o primeiro que realizei em 2008, foi sobre o caso Eloá Pimentel. Resolvi postá-lo no blog, afinal quero compartilhar desse conhecimento para com os leitores:
A relação mídia e violência no caso do seqüestro e da morte de Eloa Pimentel
Morgana Laux, Kauã Sommer, Diogo Puhl Pereira , Bolívar Duarte
Resumo
Ao longo de décadas, o jornalismo brasileiro se apresenta não como a melhor versão dos fatos que alguém pode obter, mas sim como uma forma de espetáculo sobre qualquer acontecimento relacionado a violência. As emissoras e os veículos de comunicação desejam, de qualquer modo, fornecer uma – rápida – resposta ao seu público, expondo indivíduos, sendo eles supostas vitimas ou vilões. O seqüestro da menina Eloá Pimentel por parte de seu ex-namorado Lindemberg, por exemplo, foi noticiado de forma calorosa na mídia, afinal enquanto ocorria àquela determinada situação, pouco se comentou nos jornais, na televisão, assim como na Internet e no rádio sobre a morte de Rodrigo Sendas, empresário responsável pela rede de supermercados Sendas. Nesse artigo, de certa forma, comprovamos que o jornalismo brasileiro, por esses e por demais exemplos, está inclinado ao sensacionalismo, ou seja, os meios de comunicação adotam uma postura editorial que se caracteriza pelo exagero e pela dramaticidade, o produto final, sem dúvidas, é a comoção do telespectador, do ouvinte ou do leitor. Essa abordagem, diferente de outros trabalhos, dá ênfase a depoimentos de comunicadores, profissionais que visualizam essas situações e apresentam críticas ao próprio panorama no qual estão inseridos. Esses experimentos, por sua vez, mostram que esse modo de noticiar tornou-se, então, mais do que uma cultura, e sim uma ferramenta, um recurso a ser utilizado pela mídia devido à concorrência.
Palavras chaves
Jornalismo, mídia, sociedade e violência
Key words
Journalism, media, society and violence
Introdução
É visível a crescente exposição pública da violência. A mídia se apresenta como responsável pela disseminação de informações. Contudo, muitas vezes, transforma pequenos casos em grandes espetáculos. O seqüestro da adolescente Eloá Pimentel, em São Paulo, foi repercutido de forma intensa por todos os meios de comunicação e tornou-se o melhor modo para atrair o público. A exposição desse problema no artigo, sem dúvidas, auxiliará leigos no assunto, mas também comunicadores a compreender e entender o papel da mídia e como ela se apresenta atualmente.
O propósito desse trabalho é definir o relacionamento da mídia e o comportamento de seus profissionais, o modo como eles agem de acordo com as situações de violência, ou seja, participando em determinados momentos e, até mesmo, de grandes desfechos.
Além disso, utilizamos para esse estudo, métodos como entrevistadas despadronizadas, buscando sempre o aprofundamento de cada entrevistado: jornalistas, psicólogos, sociólogos, advogados e policiais. Sendo assim, indivíduos capazes de argumentar e criticar a respeito de qualquer aspecto relacionado a casos de violência e suas repercussões nos meios de comunicação.
No artigo, serão abordados dois tópicos: A apresentação da mídia e o seu papel, ou seja, um aprofundamento da imprensa no Brasil e como ela se porta para noticiar os principais fatos, além de O jornalismo no seqüestro da adolescente Eloá Pimentel. Nesse, respectivamente, há uma análise profunda sobre o envolvimento de jornalistas durante o transcorrer do caso.
A apresentação da mídia e o seu papel
O jornalismo é a profissão principal ou suplementar das pessoas que reúnem, detectam, avaliam e difundem as noticias, mas também daquelas que comentam os fatos do momento, segundo o jornalista e professor Fabian Chelkanoff Thier. Os comunicadores, por sua vez, devem fornecer ao seu público, independente de quem ele seja, a melhor versão da verdade, ou seja, devem informar com imparcialidade, ética, seriedade e compromisso.
No Brasil – a exemplo do que acontece na Europa –, o principal modo para noticiar é a partir do sensacionalismo. Os meios de comunicação adotam uma postura editorial que se caracteriza pelo exagero. Sendo assim, apresentam um apelo emotivo para atrair o público. As imagens, – tanto nos jornais quanto na televisão –, são o maior recurso utilizado. Elas são caracterizadas por expressões fortes e generalizadas. O espectador a partir da visualização se sensibiliza e motiva-se. Além disso, sob essa óptica insere-se na notícia devido a reflexões e pensamentos. O resultado final como maior exemplo são manifestações diante de casos como o do casal Nardoni e a menina Isabella, ainda não definido. Além disso, a participação dos telespectadores também se tornou visível diante de desfechos trágicos como o de Eloá Pimentel. Trinta mil pessoas compareceram em seu velório e dez mil em seu enterro. Emissoras como a Globo News e a Record News transmitiram, ao vivo, uma programação completa sobre os dois “eventos”.
Entretanto, se a televisão expõe intensificadamente um fato, o jornal sensacionalista já apresenta imagens cruas, ou seja, na capa ou na contracapa são inseridos retratos fieis da extrema violência urbana. O Diário do Litoral, de Santa Catarina, fundado em 12 de janeiro de 1979, pelo advogado Dalmo Vieira, conhecido popularmente como Diarinho, apresenta como recurso principal a utilização de fotos apelativas, em que aparecem sujeitos claramente expostos. A legenda é composta por palavras de baixo calão, assim como o restante das matérias. O Diarinho, apesar de apresentar essas características, conta com 48 páginas e uma tiragem de nove mil exemplares. O público aprova essa postura adotada pelo veículo de comunicação. Contudo, surge uma questão ser abordada: o jornal baseia-se no interesse público ou no interesse do público?
Luiz Carlos Prates, radialista e jornalista, por exemplo, acredita que a imprensa tem como dever informar o público, contudo, sem abranger estupidamente casos como o da Menina Eloá. Já Fabian Chelkanoff Thier afirma que “Se tu fores pelo interesse do público, único e exclusivamente tu podes te ferrar. Se tu fores exclusivamente pelo interesse público, tu podes te ferrar também. Tu tens que conseguir juntar as duas coisas”. Portanto, como informou o professor, a mídia é fundamental. Ela tem extrema importância, porém deve somente denunciar os fatos de violência, não os expondo, uma vez que não deve gerar ainda mais violência.
O jornalismo no seqüestro da adolescente Eloá Pimentel
A partir desse modo de noticiar sensacionalista, a mídia procura aprofundar um determinado fato, transformando-o em espetáculo. O modo de noticiar o seqüestro da adolescente Eloá Pimentel, por parte de seu ex-namorado Lindemberg Alves, durante os dias 13 de outubro e 17 do mesmo mês de 2008, reflete essa postura adotada pelos principais meios de comunicação brasileiros.
A imprensa abrangeu, de forma intensa, qualquer detalhe minucioso e os noticiários, por sua vez, realizaram grandes coberturas. O caso, segundo Luiz Carlos Prates, passou a ter uma tonalidade de relevante para o público, mas não a ponto de se tornar uma novela que tomou conta de todos os canais. Contudo, também ocorreram grandes perdas de informações, ou seja, dados de utilidade infinitamente superiores não foram levados ao público, posto que, não havia espaço nos programas. O seqüestro tomou conta de quase 70% dos programas jornalísticos.
Portanto, a função jornalística, sem dúvidas, apagou-se mediante o sensacionalismo. Esse modo de noticiar tornou-se, então, mais do que uma cultura, e sim uma ferramenta, um recurso a ser utilizado pela mídia devido a concorrência entre as emissoras e os veículos de comunicação. As entrevistas exclusivas tornaram-se os maiores objetivos para alcançar uma grande audiência. Durante o desenvolvimento do seqüestro de Eloá, por exemplo, o pai da adolescente foi entrevistado pela Record. Não obstante, o familiar era procurado pela polícia, acusado de homicídios. Essa atitude, comentada por diversos jornalistas, foi repercutida de modo negativo pelo apresentador Datena, que não apenas ficou irritado com a emissora, mas também a criticou: “É uma emissora irresponsável que fala com bandido e acoberta um foragido da justiça”.
Logo, o papel da imprensa serve para informar o público, porém em situações de extrema violência, ela influencia claramente no seu desenvolvimento. Rodrigo Pimentel, sociólogo e ex-integrante do BOPE, mencionou a seguinte colocação sobre o seqüestro da adolescente Eloá e a participação do jornalistas : “A Sonia Abrão da Rede TV!, a Record e a Globo foram irresponsáveis e criminosas. O que eles fizeram foi de uma irresponsabilidade tão grande que eles poderiam através dessa conduta deixar o domador das reféns mais nervoso, como deixaram. Poderiam atrapalhar a negociação, como atrapalharam. O telefone de Lindemberg estava sempre ocupado. E o capitão Adriano, não conseguia falar com o negociador, porque Sonia Abrão queria entrevistá-lo. Então essas emissoras e esses jornalistas criminosos e irresponsáveis devem optar na próxima ocorrência entre ajudar a polícia ou aumentar sua audiência. O Mistério Público de São Paulo deveria inclusive chamar a atenção dessas emissoras de tv”.
A apresentadora Sônia Abrão, do programa A Tarde É Sua, da RedeTV! conversou com Lindemberg por telefone durante o desenvolvimento do seqüestro. A produção do seu programa obteve o número do telefone do indivíduo mediante a aceitação dos próprios familiares dele. Luiz Guerra, repórter do programa, pouco antes de a atração ir ao ar, iniciou o diálogo com o adolescente e realizou uma gravação, porém, logo depois, Lindemberg se propôs a falar ao vivo com Sônia Abrão. Sem dúvidas, esse tipo de ação, ou seja, a presença de inúmeros jornalistas, inibiu a ação de policiais. A apresentadora apesar de ter se interferido em um momento no qual eram realizadas as negociações para libertar Eloá Pimentel, acredita que realizou um trabalho jornalístico, afinal outras emissoras sérias como a Globo e a Record também dariam a entrevista.
Essa postura, que claramente influenciou no desenvolvimento do seqüestro, adotada pela apresentadora não foi a única apresentada pelos comunicadores para atrair uma audiência em prol da exposição intensificada de Limbemberg Alves, de Eloá Pimentel e de Naiara Rodrigues. Após o desfecho trágico, em que o jovem baleou sua namorada e também a amiga dela, a Record proporcionou ao seu público, imagens exclusivas de Lindemberg preso no Centro de Detenção de Pinheiros. A emissora registrou no horário em que as imagens foram ao ar, das 20:20 às 21:35, 14 pontos de média, 21% de share e 20 pontos de pico. O repórter Roberto Cabrini ao apresentar o vídeo não deixou de mencionar frases que comoveram o público: “Uma mente perturbada em uma história de amor, ódio e morte”.
A Rede Globo, emissora que iniciou suas atividades no dia 26 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, considerada uma das maiores de toda a América e a terceira maior do mundo, é acompanhada por 80 milhões de telespectadores diariamente. Contudo, em relação ao caso Eloá se manifestou sem cautela e, até mesmo, noticiou de forma errônea a morte da adolescente. O plantão de jornalismo da Rede Globo, assim como a da Rede TV!, divulgou antecipadamente o falecimento da jovem, uma vez que ele ocorreu somente no dia 18 de outubro e não no dia 17 do mesmo mês, ou seja, noticiaram mesmo o hospital não confirmando a morte da jovem. No Jornal Nacional, programa da Rede Globo, a emissora comentou sobre a informação divulgada erradamente pela Assessoria de Imprensa do Governo de São Paulo, explicando também que chegou a receber a informação sobre a morte da jovem por meio da Área de Segurança Pública. Contudo, outras notícias davam conta de que Eloá havia sido reanimada na sala de cirurgia e que no momento estava em coma induzido.
Sendo assim, é visível a preocupação dos meios de comunicação para noticiarem de forma rápida. A concorrência torna-se o objetivo principal e o produto final é baseado no interesse do público. Paulo Mendes, editor de Polícia do Correio do Povo, jornal circulado no Rio Grande do Sul, mencionou a seguinte colocação: “Sem dúvida foi uma cobertura que primou pela espetacularização e que levou em conta os índices de audiência acima de tudo. Minha opinião é que tivemos uma cobertura lamentável em todos os aspectos e que acabou da forma que a mídia sempre quis, ou seja, com sangue. Devo dizer, em nome da Justiça, que o rapaz, Lindemberg, é o culpado pela morte da jovem Eloá, isso não resta dúvida. Mas creio que depois temos outros culpados por tabela. A imprensa, a Polícia, os pais, etc. E como o nosso ponto é a imprensa, faria algumas observações: um criminoso tem que estar ao vivo dando entrevista na televisão quando mantém duas pessoas reféns? Um sujeito que não é ninguém de repente deve ser alçado à condição de pop star, em um segundo, apenas porque está cometendo – veja bem – um ato criminoso de alto grau? A Polícia não deveria restringir a comunicação do criminoso, neste o caso o seqüestrador, com o mundo exterior, cortando luz, telefone do local onde ele se encontra, tornando-o mais vulnerável e deixando que pense ser o senhor do mundo e ter todos na mão? Sabendo disso, porque a Polícia deixou que o caso se arrastasse por tanto tempo, sabendo, por exemplo, que a Swat não espera mais que dez ou onze horas para agir? E a imprensa, quanto mais o caso demorava, mais gostava.”.
Em suma, pode-se destacar, segundo Magda Vianna de Souza, Doutora em Sociologia, que ocorreu uma inversão de valores, onde a audiência foi o ponto alvo dos meios de comunicação, e não a informação em si. O modo sensacionalista como foi noticiado resultou anteriormente no pré-julgamento feito pela imprensa no caso dos Nardoni, em que ela se apresentou tendenciosamente e imparcialmente, afinal declarou os suspeitos culpados, até mesmo, antes das investigações serem concluídas. A imprensa brasileira nesses dois casos foi completamente antiética, seja pela forma como os cobriu, mas também pelos métodos que utilizou para que houvesse uma centralização no furo jornalístico.
Para a psicóloga Susana Azevedo, formada pela Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo, Brasil, o enredo repassado pelos jornais e telejornais denunciaram uma desestrutura tanto da família da menina quanto do próprio rapaz Lindemberg. Todos os fatos demonstrados eram comprovações da falta de afetos e de limites de algumas famílias, onde as reações passam a ser de total desrespeito pela liberdade do outro.
Outro representante da área que demonstra conhecimento sobre os fatos ocorrido é Luis Francisco Zinga, advogado. O profissional mencionou, durante a entrevista, a seguinte colocação: “A polícia e o Ministério Público conduziram de maneira infeliz as negociações com o tal Lindemberg (em todos os sentidos), isto posto há que se observar que a esta altura o inquérito deve estar terminado e o Ministério Público (promotor) deverá oferecer a denúncia, assim sendo, o réu (Lindemberg) deverá apresentar defesa (princípio do contraditório, afinal todo o réu tem direito a defesa (em um caso como este te confesso que eu encontraria muita dificuldade em fazer esta defesa).
Entretanto, se não faltaram críticas a imprensa, logo não faltaram inúmeros comentários sobre a postura que a polícia apresentou durante o desenrolar da história. As dúvidas sobre quem atirou primeiramente, ou seja, se foi Lindemberg ou os policiais, foi colocada em destaque. Após a tragédia, os meios de comunicação adotaram como tema principal repercutir sobre como os policias se posicionaram e também sobre os transplantes que foram realizados devido a morte de Eloá e a doação de seus órgãos.
Para o Major Silvio Roberto Diehl, expor sua opinião publicamente sobre o seqüestro ficaria complicado, afinal ele recebe a orientação de se manifestar mediante o conhecimento do Comando Geral da BM. Não obstante ele mencionou a seguinte frase em relação ao caso Eloá: “Pecamos em comentar ações que não expressam a realidade e a veracidade dos fatos, cria-se um circo de atuação onde não se teve acesso a relatórios nem depoimentos dos envolvidos. A imprensa em geral muitas vezes é tendenciosa, conduz a opinião pública para um lado onde a convicção pode não ser a realidade; em outras oportunidades ajuda a desvendar algum erro no atendimento da ocorrência.”.
Além disso, o Major mencionou que no quartel aonde atua ocorreu contato com a PMSP (Polícia Militar de São Paulo) e que foi explicada as ações desencadeadas, baseado nos manuais de atendimento. Também foram analisados os fatores intervenientes. Sobre os fatos relacionados a polícia destacou que a única coisa que não deveria ter acontecido na ocorrência foi a vítima (Naiara) ter retornado ao local do seqüestro e terem permitido ela adentrar no cativeiro. Já Sérgio Lemos Simões, também Major, não acredita que houve influência da mídia nas decisões da polícia, pois estas devem estar isentas e não deixar se influenciar. Contudo, o contato do seqüestrador com a mídia atrapalhou em muito as negociações, pois fez agigantar-se o tomador de refém. Ocorreu a transformação de um drama social em espetáculo surreal de jornalismo, de baixa qualidade e caracterizado por um sensacionalismo barato em torno da desgraça alheia.
Segundo Nikão Duarte, jornalista e atual Assessor de Imprensa da Pontifícia Universidade Católica, é preciso realizar uma observação sobre o caso. Afinal, todos querem a mídia como aliada e a seu serviço: os poderes constituídos, os setores da sociedade, os clubes esportivos e os políticos. Todos pensam em usar a mídia em benefício próprio. Mas o Jornalismo, os jornalistas e, portanto, os meios de comunicação, só têm de estar a serviço de uma situação: o interesse público. Isso é ético; o resto é discutível a cada situação.
É necessário os meios de comunicação atenderem ao seu serviço básico: a informação, porém baseada em dados concretos. Casos de violência, como o da adolescente Eloá, devem ser denunciados, não expostos. O jornalista deve aprofundar e ampliar o conhecimento sobre qualquer fato, mas deve lembrar-se que é o profissional responsável pelo produto final que chega ao telespectador, ao ouvinte e ao leitor. Sendo assim, por essa razão, torna-se, de certo modo, um formador de opinião. Além disso, também deve-se lembrar que ao denunciar qualquer infrator, oriundo de um mesmo núcleo social, sendo ele o resultado de uma sociedade decadente em moralidade, é realizada uma relação entre causa e feito, ou seja, a mídia, capaz de reforçar os aspectos mais negativos durante o desenrolar das situações de crise, torna-se um agente nocivo de atuação indireta dos acontecimentos, uma vez que fomenta o que há de mais instintivo nas massas populares.
Conclusão
O artigo apresentou análises, comentários e depoimentos de jornalistas em relação ao seqüestro da adolescente Eloá Pimentel pelo seu ex-namorado Lindemberg Alves. Além disso, foi realizada e colocada em pauta a pesquisa sobre o jornalismo no Brasil e a postura adotada pelos principais meios de comunicação em relação a casos de violência.
Como resultados encontramos, indiscutivelmente, a presença de uma questão anti-ética nas emissoras nacionais, pois o serviço, ou seja, a informação foi deixada de lado para abrir espaço ao ganho de audiência. Dois aspectos foram analisados: o interesse público e o interesse do público.
É necessário realizar trabalhos que abordem a questão dos meios de comunicação e a postura que eles manifestam, afinal sejam leigos, sejam futuros profissionais, todos precisam saber quais alterações devem ser realizadas nos trabalhos jornalísticos. Os leigos, por sua vez, por serem respectivamente o público que recebe o produto final e os futuros profissionais por serem aqueles que irão determinar e produzir o conteúdo a todos.
Esse trabalho pode servir de modelo para explorar também outras situações de violência repercutidas na mídia, uma vez que contem inúmeros dados sobre esses acontecimentos.
Fontes
http://video.aol.com/video-detail/notcia-falsa-divulgada-pela-globo-e-redetv-sobre-o-caso-elo/230614038
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_Globo
http://www.cafecompao.com/datena-critica-imprensa-sobre-o-caso-de-eloa-e-lindemberg/
Sociedade, mídia e violência
Muniz Sodré
2ª Edição – 2006
Editora Sulina e Edipucrs
Até onde vão as brincadeiras no futebol?

Uma faixa foi colocada em destaque, por um avião, durante o último jogo entre Grêmio e Atlético. O tricolor gaúcho, naquele momento, estava perdendo o título de Campeão do Brasileirão 2008, já o Inter, naquela semana, havia se consagrado campeão da Sul Americana.
Os escritos eram: “Inter o único campeão de tudo”.
Entretanto, a brincadeira deve ser levada como algo sadio ao torcedor? Ou ela gera conflitos, uma vez que s situação já é tensa no estádio?
Fim de campeonato
Agora, muitos torcedores comemoram, outros choram, outros estão apáticos, isso porque o que importa em um campeonato de pontos corridos ou é conquistar o titulo, ou é conquistar a vaga para a Libertadores ou então é fugir do rebaixamento. Sul Americana, francamente, não leva a lugar algum, pelo menos até agora não levava. O resto é especulação.
O São Paulo mais uma vez tornou-se campeão, algo já esperado por muitos. O Grêmio ficou apenas com a segunda posição, assegurando sua vaga tão esperada para a Libertadores 2009, justo no ano que em que o rival (Inter) irá comemorar o seu centenário. Cruzeiro e Palmeiras também irão comparecer ao campeonato mais concorrido da América. Os rebaixados foram Figueirense, Vasco, Portuguesa e Ipatinga.
Assisti, depois do término das batalhas, a duas coletivas: a de Vasco e a de Grêmio. Posições diferentes, falas diferentes. Renato triste de um lado pelo rebaixamento do time carioca, já Roth comemorava o resultado positivo, a posição final que o Grêmio conquistou.
E logo também acessei a Internet para saber um pouco mais dos acontecimentos futebolísticos, os ingressos da Madonna e a possível manipulação não foi o que eu busquei. Recebi um link do Globo Esporte, incrível, um torcedor tentou se jogar da marquise, desesperado com o rebaixamento do seu time. Fiquei triste por esses fatos, por uma suposta também falta de emoção nas últimas partidas, por saber que o futebol não é mais o mesmo, não somente a maneira de se jogar e de se portar mudou, mas sim os interesses. E o torcedor é quem sofre…
link:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Vasco/0,,MUL914273-9877,00.html
Enquanto a noite não chega
E não precisou muito para eu derramar verdadeiras lágrimas. Após ler um livro de Josué Guimarães, as coisas sempre mudam: os sentimentos, os pensamentos. Se Camilo Mortagua me fez refletir sobre o amor na juventude, Enquanto a noite não chega me fez acordar para o mundo e dar mais atenção aos velhinhos.
Não tem nada de muito surpreendente na obra, é apenas a história de uma cidade composta somente pelos seus últimos moradores: um casal e um coveiro. Esse, por sua vez, espera os velhinhos morrerem, porém, acaba indo desta para uma melhor antes. A linguagem e os ricos detalhes são os recursos que fazem a diferença nos livros de Josué Guimarães.
Enquanto a noite não chega é pequeno, é bom e envolvente. Uma ótima dica para essas férias.